"Messi das finanças": novo ministro da Economia argentino enfrenta Copa do Mundo de crises

Por Eliana Raszewski e Jorgelina do Rosario e Rodrigo Campos

BUENOS AIRES/NOVA YORK (Reuters) - Luis Caputo já foi apelidado de "Messi das finanças" por ter reaberto o acesso da Argentina aos mercados de crédito após longas negociações com os detentores da dívida do país. Ele agora enfrenta um desafio do tamanho da Copa do Mundo para resolver a pior crise econômica argentina em décadas.

Caputo, de 58 anos, um ex-ministro das Finanças e ex-presidente do banco central, assumirá o comando do Ministério da Economia da Argentina no domingo, com a tarefa de controlar a inflação de três dígitos, reconstruir as reservas negativas e combater a recessão.

A escolha favorável ao mercado também precisará equilibrar as exigências de seu novo chefe, o presidente ultraliberal Javier Milei, cujas promessas de campanha incluíam o fechamento do banco central e a dolarização da economia.

Essas políticas extremas pareciam valer a aposta para muitos eleitores, enquanto a inflação está chegando a 150% e cerca de 40% da população está vivendo na pobreza. Enquanto isso, uma bomba-relógio de dívida com os detentores de títulos e com o Fundo Monetário Internacional (FMI) está se aproximando.

"A situação é muito delicada", disse José Echague, chefe de estratégia da empresa local Consultatio, que administra um fundo mútuo de 400 milhões de dólares. Os desafios serão muito mais difíceis do que em 2015, quando Caputo dirigia o portfólio financeiro, disse ele -- independentemente de quem esteja na equipe.

"Mesmo que você tenha Messi e Maradona juntos no mesmo time, o sucesso não é garantido", disse ele, em uma referência irônica aos dois ícones do futebol do país, o falecido Diego Maradona e o campeão mundial Lionel Messi.

Caputo, pai de seis filhos, teve um início auspicioso. Sua nomeação já animou os mercados locais, onde os investidores esperam que ele atue como um freio às ideias mais extremas de Milei e traga políticas econômicas ortodoxas.

"Isso sinaliza uma abordagem menos radical em termos de dolarização", disse Robert Simpson, codiretor de dívida de mercados emergentes da Pictet Asset Management, que detém títulos soberanos argentinos.

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Em um relatório de maio para sua antiga consultoria Anker, a equipe de Caputo disse que a dolarização é "difícil de implementar", mas não impossível, embora argumente que a "espinha dorsal" dos problemas da Argentina é seu déficit fiscal.

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