Faturamento da indústria eletroeletrônica deve subir 2% em 2024, estima Abinee

Por Patricia Vilas Boas

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria eletroeletrônica deve registrar alta nominal de 2% no faturamento de 2024, para 208 bilhões de reais, contra queda de 6% estimada para 2023, disse a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) nesta quinta-feira.

O setor deve encerrar este ano com faturamento de 204,2 bilhões de reais, segundo projeções preliminares, em desempenho abaixo do esperado pela entidade.

"Não é uma expectativa das mais otimistas, nós gostaríamos que pudesse crescer bem mais do que nós estamos crescendo", disse o presidente-executivo da Abinee, Humberto Barbato, a jornalistas.

Os investimentos do setor devem subir 3% em 2024, para 3,6 bilhões de reais, e o nível de emprego deve passar de 263,3 mil para 266 mil trabalhadores, acrescentou a Abinee.

Segundo a associação, o setor espera aumento de 4% nas exportações do próximo ano, para 7,5 bilhões de dólares, e de 3% nas importações, para 44,5 bilhões de dólares, com uma utilização de capacidade instalada em 74%, contra 72% em 2023, percentual mais baixo desde junho de 2020 (68%).

"Nesses anos todos que estou aqui na Abinee, nunca vi chegar a esse nível de ociosidade, o que é extremamente preocupante", acrescentou Barbato. "Nós esperamos que o ano que vem possa ser melhor."

Entre as questões que precisam ser tratadas para melhorar o desempenho do setor, ele apontou o combate a contrabando de celulares e a participação limitada da indústria brasileira nos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

"É uma pena que você tenha 15 mil quilômetros de linha de transmissão em construção e, praticamente, a indústria brasileira não está conseguindo participar desses leilões porque um determinado país chamado China resolveu descarregar sua produção onde existem mercados mais abertos", acrescentou.

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MARKETPLACES

No caso do contrabando, que representa 21% do mercado de telefones celulares no Brasil segundo a Abinee, representantes da entidade também afirmaram que a grande maioria desses aparelhos ilegais são vendidos por meio de marketplaces.

De acordo com os executivos, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que regula o setor, tem negociado com marketplaces para derrubar anúncios de aparelhos ilegais em suas plataformas, mas alguns dos maiores não "querem conversa".

"O que a gente espera hoje do governo é uma ação efetiva junto a esses marketplaces", disse o diretor de dispositivos móveis de comunicação da Abinee, Luiz Claudio Carneiro.

Questionado sobre quais seriam as plataformas mencionadas, o presidente-executivo da associação citou as gigantes de comércio eletrônico Mercado Livre e Amazon.

"O Mercado Livre e a Amazon não têm feito... não têm assinado o acordo com a Anatel", afirmou.

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Em nota, o Mercado Livre disse que mantém contato com a Anatel, apresentando suas medidas para remoção de produtos não homologados e proibidos anunciados por vendedores que utilizam sua plataforma, e que está sempre à disposição das autoridades públicas.

A Amazon, por sua vez, afirmou que "está em diálogo constante e cooperativo com a Anatel e atua com os mais elevados padrões de qualidade a fim de atender aos seus consumidores e à legislação aplicável".

A empresa também reforçou que exige por contrato aos vendedores em seu marketplace que todos os produtos ofertados possuam licenças, autorizações, certificações e homologações necessárias.

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