Mercados argentinos querem um "empurrão" fiscal na economia enquanto o plano de choque de Milei é preparado

Por Walter Bianchi

BUENOS AIRES (Reuters) - Os eleitores argentinos podem ter motivos para se preocupar com a promessa do novo presidente Javier Milei de uma dolorosa terapia de choque econômico, mas os mercados estão entusiasmados, esperando que o libertário dê um empurrão firme na economia quando apresentar seu plano esta semana.

No domingo, o economista reafirmou os planos de cortes rigorosos nos gastos para enfrentar a pior crise econômica do país em duas décadas e reduzir a inflação que se aproxima de 150%, embora tenha alertado que a situação vai piorar antes de melhorar.

"Não há dinheiro", disse ele repetidamente em seu primeiro discurso, prometendo tomar decisões difíceis, mesmo que isso signifique sofrimento para o país. "O desafio que temos pela frente é titânico"

Analistas disseram que Milei, que conquistou os eleitores com um plano econômico de "motosserra" para cortar os gastos do Estado e reverter um déficit profundo, precisava dar continuidade a esse discurso duro. Sua vitória na eleição impulsionou as ações e os títulos nas últimas semanas.

"O maior risco nos próximos dias é que os sinais não sejam fortes o suficiente", disse a consultoria EcoGo em nota. "Os sinais devem incluir um empurrão fiscal firme e um sinal claro de disposição para realizar reformas estruturais."

Milei e o novo chefe da economia, Luis Caputo, devem anunciar um pacote de medidas econômicas no início desta semana, com os investidores atentos a uma desvalorização do peso, cortes nos gastos públicos e possíveis privatizações.

"Será crucial para o novo governo reavivar rapidamente a confiança", disse o economista Gustavo Ber, acrescentando que o governo precisa de apoio social e legislativo, dado o provável sofrimento econômico que se avizinha e o aumento da inflação.

"O quadro macroeconômico... é, para dizer o mínimo, assustador. Embora a inflação já tenha atingido seu ponto mais alto dos últimos trinta anos, tudo indica que o pior ainda está por vir", disse a empresa de consultoria GMA Capital Research.

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Milei precisará reconstruir as reservas esgotadas do banco central, que os analistas estimam estar no vermelho em 10 bilhões de dólares, aliviar uma recessão iminente, reduzir a pobreza e renovar um programa fracassado de 44 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional.

Suas primeiras semanas podem definir o tom.

"Para sair dessa situação, será necessário que o novo governo aja rapidamente e elimine os controles de capital o mais rápido possível", disse Lautaro Moschet, economista da Freedom and Progress Foundation.

O Morgan Stanley disse em um relatório que, sem um programa econômico forte, a Argentina pode precisar enfraquecer drasticamente sua taxa de câmbio, atualmente em torno de 365 por dólar, o que pode fazer com que o preço do dólar dobre.

"Um ajuste cambial parece inevitável", disse o banco de investimentos na nota de 7 de dezembro, acrescentando que a taxa de câmbio pode enfraquecer para 700 por dólar. "Pode ser necessário compensar uma economia sem um programa econômico confiável com um câmbio mais fraco para atrair investimentos."

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