Premiê do Japão promete restaurar confiança conforme escândalo envolve governo

Por Kantaro Komiya e Satoshi Sugiyama

TÓQUIO (Reuters) - O primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, prometeu nesta segunda-feira restaurar a confiança em seu governo, em meio a relatos de que ele está planejando demitir ministros envolvidos em um escândalo de arrecadação de fundos que tem afetado seu já fraco apoio popular.

As alegações de que alguns parlamentares receberam milhares de dólares em fundos não declarados representam um dos maiores desafios em décadas para o Partido Liberal Democrata (LDP), que tem mantido o poder durante quase toda a história do Japão no pós-guerra.

Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira mostrou que a aprovação do governo atingiu uma mínima recorde, enquanto o parceiro de coalizão do LDP alertou que qualquer quebra de regras não será tolerada e a imprensa relatou que o principal partido de oposição está se preparando para convocar uma moção de desconfiança sobre o governo de Kishida.

"Consideraremos medidas apropriadas no momento certo para restaurar a confiança do público", disse Kishida aos repórteres nesta segunda-feira, recusando-se a entrar em detalhes.

Kishida não precisa convocar uma eleição até outubro de 2025 e uma oposição fraturada e fraca tem historicamente tido problemas para fazer incursões sustentadas no domínio do LDP.

No entanto, o tempo pode estar se esgotando para o primeiro-ministro, que, segundo analistas, terá dificuldades para reviver sua sorte, mesmo com uma limpeza do gabinete.

"Ele (Kishida) está em uma espiral fatal que é inevitável em seu resultado", disse Michael Cucek, professor especializado em política japonesa na Temple University, em Tóquio.

"As pessoas estão unidas. Não importa se você é de esquerda ou de direita, idealista ou pragmático, eles odeiam isso. Esse é um escândalo que está atraindo a imaginação popular e indica que esse é um problema sério para o LDP daqui para frente."

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A investigação dos promotores de Tóquio está centrada na maior e mais poderosa facção do LDP, Seiwa-kai, anteriormente liderada pelo falecido primeiro-ministro Shinzo Abe e muitas vezes ainda chamada de facção Abe.

Eles supostamente ocultaram centenas de milhões de ienes de fundos políticos ao longo de cinco anos em um esquema que viu alguns parlamentares receberem "propinas" da venda de ingressos para eventos do partido que foram mantidos fora da contabilidade, de acordo com relatos da mídia.

O jornal Asahi informou no domingo que Kishida decidiu substituir quatro ministros e 11 outros cargos ministeriais em seu gabinete. A reformulação poderia ocorrer já na quinta-feira, segundo a mídia.

Uma pesquisa da Fuji News Network-Sankei realizada no fim de semana mostrou que a popularidade de seu governo caiu para uma mínima recorde de 22,5%, uma queda de 5,3 pontos percentuais em relação ao mês anterior.

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