Bradesco BBI vê aumento de incerteza e corta recomendação de Banco do Brasil

(Reuters) - Analistas do Bradesco BBI cortaram a recomendação das ações do Banco do Brasil para "neutra" ante "outperformance", com preço-alvo de 59 reais, de 60 reais anteriormente, conforme relatório enviado a clientes na noite de segunda-feira.

Gustavo Schroden e equipe, que também reduziram previsões para os lucros do BB em 2024 e 2025, veem aumento de incertezas envolvendo principalmente o Banco Patagonia, o segmento rural, a remuneração a acionistas e as receitas com tarifas.

No caso do Patagonia, eles citam que o banco aumentou sua representatividade no lucro líquido do BB a cerca de 10% e agora apresenta um risco desfavorável dependendo das novas políticas macroeconômicas na Argentina.

Em paralelo, a equipe do Bradesco BBI ressalta que os empréstimos rurais feitos pelo BB têm aumentado acima de 20% nos últimos dois anos, mas enfrentam agora riscos negativos devido a condições climáticas adversas.

Os analistas ainda avaliam como "improvável" que o banco expanda o payout para 50%/60%, dos 40% atuais, ao mesmo tempo que observa que as receitas com tarifas podem ficar sob pressão em 2024 devido a concorrência e menor apetite a risco.

Nesse contexto, Schroden e equipe reduziram suas estimativas do lucro líquido em 3,4% para 2024 e em 4,5% para 2025, conforme diminuíram projeção da margem financeira (NII) em 1,4% e 1,6%, respectivamente.

As previsões para despesas de provisões e operacionais para 2024 e 2025 foram mantidas, assim como o prognóstico de receitas de comissões em 2024.

"Como resultado, esperamos agora lucro líquido recorrente de 37,3 bilhões de reais para 2024 e 39,3 bilhões de reais para 2025, implicando ROE (retorno sobre o patrimônio) de 20,3% e 19,1%", respectivamente, afirmaram no relatório.

Na B3, por volta de 11:50, as ações do BB caíam -1,88%, a 53,13 reais, tendo chegado a 52,69 reais no pior momento, entre as maiores quedas do Ibovespa, que cedia -0,53%.

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No relatório, o Bradesco BBI também cita a forte performance dos papéis no ano, com alta acumulada de cerca de 68%, contra avanço de 15% do Ibovespa.

(Por Paula Arend Laier)

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