Dólar tem viés de alta após dados de inflação dos EUA um pouco acima do esperado

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar mostrava instabilidade frente ao real nesta terça-feira, mas prevalecia o viés de alta, com a moeda sob influência do exterior conforme investidores digeriam dados de inflação ao consumidor dos Estados Unidos um pouco acima do esperado às vésperas da decisão de política monetária do Federal Reserve.

Às 11:08 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,10%, a 4,9410 reais na venda.

Na B3, às 11:08 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,02%, a 4,9455 reais.

Os preços ao consumidor dos Estados Unidos registraram alta inesperada em novembro, enquanto o núcleo da inflação acelerou frente ao mês anterior.

O índice de preços ao consumidor subiu 0,1% no mês passado, depois de ficar inalterado em outubro, informou o Departamento do Trabalho nesta terça-feira. Nos 12 meses até novembro, o índice avançou 3,1%, depois de alta de 3,2% em outubro.

Economistas consultados pela Reuters previram que o índice de preços ao consumidor ficaria inalterado no mês e aumentaria 3,1% na base anual. As altas de 0,3% na base mensal e 4,0% na comparação anual do núcleo da inflação ficaram em linha com as expectativas.

Imediatamente após os dados, o índice do dólar contra uma cesta de pares fortes chegou a cair mais de 0,50%, mas logo devolveu a maior parte dessas perdas, operando em baixa de apenas 0,10% por volta de 11h05.

"O dólar está corrigindo, basicamente acompanhando o cenário externo" na esteira dos dados de inflação, disse Hideaki Iha, operador de câmbio da Fair Corretora, ponderando que, apesar do número cheio um pouco acima do esperado, vários componentes do relatório de preços ao consumidor vieram em linha com a visão do mercado.

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"O mercado, não é de hoje, está muito otimista (quanto a reduções de juros por parte do Fed), e o banco central americano vem tentando mostrar que não é por aí", acrescentou o operador.

Segundo ele, o foco do mercado deve passar agora para falas do chair do Fed, Jerome Powell, após a decisão de política monetária de quarta, quando o banco central deve manter os juros na faixa atual de 5,25% a 5,50%.

Após sinais de arrefecimento da inflação na maior economia do mundo, e apesar da resiliência do mercado de trabalho, investidores anteciparam nas últimas semanas suas apostas para o início do afrouxamento monetário do Fed, com muitos chegando a esperar um primeiro corte de juros em março de 2024, embora tenham reduzido essas apostas após o índice de preços ao consumidor desta sessão.

A redução dos custos dos empréstimos nos Estados Unidos tende a favorecer moedas mais rentáveis, como o real e seus pares emergentes, frente ao dólar. Por outro lado, juros altos tornam o dólar mais interessante, porque então, além de oferecer a segurança de sempre, a moeda passa a ter retornos mais vantajosos.

No Brasil, dados do IBGE mostraram nesta terça-feira que o IPCA registrou alta de 0,28% em novembro, um pouco acima da taxa de 0,24% do mês anterior, mas abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de 0,30%.

Assim como o Fed, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil também anunciará na quarta-feira sua decisão sobre os juros, com ampla expectativa de novo corte de 0,5 ponto percentual na Selic, a 11,75%.

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Iha disse que, apesar do atual ciclo de afrouxamento monetário do BC, a taxa Selic ainda está em patamar restritivo que torna o Brasil interessante em comparação com outros países, atribuindo a essa vantagem a relativa resistência do real --confortavelmente distante dos 5 por dólar-- na reta final deste ano, período que geralmente tem um salto na demanda pela divisa norte-americana.

Ainda assim, Iha não descartou turbulências nos próximos dias, conforme a liquidez diminui com a aproximação das festas de fim de ano.

Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9360 reais na venda, em alta de 0,15%.

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