Ibovespa fecha em queda com tombo do petróleo antes de decisões de juros

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em baixa nesta terça-feira, pressionado particularmente pelo declínio de Petrobras, na esteira do tombo do petróleo, com agentes financeiros também repercutindo dados de inflação à espera de decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,4%, a 126.403,03 pontos, em pregão véspera de vencimento de opções sobre o Ibovespa e do contrato futuro do índice. Na máxima do dia, chegou a 127.359,19 pontos. Na mínima, a 126.013,15 pontos.

O volume financeiro somou 18,75 bilhões de reais.

Nos Estados Unidos, o Departamento do Trabalho divulgou que o índice de preços ao consumidor subiu 0,1% no mês passado, depois de ficar inalterado em outubro. Em 12 meses, avançou 3,1%, depois de alta de 3,2% em outubro. Projeções apontavam estabilidade no mês e aumento de 3,1% na base anual.

Os números vieram um dia antes da decisão do Federal Reserve, que será acompanhada de projeções dos membros do banco central norte-americano e coletiva do chair da instituição, Jerome Powell. A previsão é de manutenção da taxa em 5,25% a 5,50%, com o foco voltado para os próximos movimentos.

No Brasil, o IPCA mostrou alta de 0,28% em novembro, acumulando em 12 meses elevação de 4,68%. Analistas estimavam aumento de 0,30% no mês e de 4,70% em 12 meses.

O BC brasileiro também anuncia na quarta-feira decisão sobre os juros no país, com o mercado aguardando novo corte de 0,5 ponto percentual na Selic, atualmente em 12,25% ao ano. O foco estará no comunicado que acompanha a decisão, eventuais sinais sobre espaço para uma flexibilização maior.

Na visão do responsável pela mesa de ações do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, a bolsa paulista refletiu um pouco de realização de lucros após um forte desempenho em novembro e também alguma cautela antes dos eventos da quarta-feira, principalmente a decisão do Fed.

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"Acho que amanhã o mercado toma alguma direção de forma mais intensa", avaliou.

Investidores também continuaram atentos a movimentações em torno da medida provisória que regulamenta subvenções. A comissão mista do Congresso responsável pela MP adiou a reunião de apresentação e discussão do relatório sobre o tema da tarde desta terça-feira para a manhã de quarta-feira.

Duas fontes da equipe econômica e do Congresso afirmaram à Reuters à Reuters que o governo intensificou negociações em torno da MP, e as conversas podem levar a novas flexibilizações do texto para tentar vencer resistências políticas à proposta, considerada crucial na busca pelo déficit primário zero em 2024.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN recuou 0,81%, a 34,08 reais, em dia de queda dos preços do petróleo no exterior, com o barril de Brent negociado em baixa de 3,67%. Também de pano de fundo está o acordo em que a Eletrobras pagará 1,156 bilhão de reais à empresa para encerrar discussões sobre empréstimo compulsório. No setor, PETRORECONCAVO ON caiu 2,25%, 3R PETROLEUM ON perdeu 2,92% e PRIO ON cedeu 1,97%.

- BANCO DO BRASIL ON caiu 3,05%, a 52,50 reais, com analistas do Bradesco BBI cortando a recomendação dos papéis para "neutra", com preço-alvo de 59 reais. No setor, ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 0,50%, a 31,64 reais, enquanto BRADESCO PN caiu 0,49%, a 16,25 reais. Na véspera, o Bradesco anunciou 2 bilhões de reais em JCP intercalares e mais 5 bilhões de reais em JCP complementares.

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- TOTVS ON fechou em baixa de 3,53%, a 32,55 reais, tendo como pano de fundo lançamento pela rede de varejo Magazine Luiza de serviço de nuvem com a promessa de preços mais acessíveis. MAGAZINE LUIZA ON avançou 2,24%, a 2,28 reais. LOCAWEB ON, que chegou a cair a 5,67 reais, terminou com alta de 2,39%, a 5,99 reais.

- HAPVIDA ON encerrou com declínio de 1,89%, a 4,15 reais, após a companhia anunciar que diretor financeiro e de relações com investidores, Mauricio Fernandes Teixeira, renunciou ao cargo, que será ocupado de forma interina pelo atual diretor de mercado de capitais, Luccas Augusto Adib. Teixeira foi eleito membro do conselho de administração da empresa. Na mínima, o papel chegou a 4,03 reais.

- GRUPO SOMA ON avançou 4,02%, a 6,73 reais, após duas quedas seguidas, período em que acumulou declínio de quase 6%. No setor, LOJAS RENNER ON terminou a sessão com variação negativa de 0,49%.

- VALE ON subiu 0,18%, a 72,99 reais, com a recuperação dos futuros de minério de ferro, em meio ao ressurgimento das esperanças de mais estímulos para a economia da China. O contrato mais negociado na Dalian Commodity Exchange (DCE) encerrou o dia com alta de 1,52%. A mineradora também inaugurou nesta terça-feira a primeira planta de briquete de minério de ferro do mundo em Vitória (ES), um marco rumo à diversificação de portfólio.

- MOVIDA ON caiu 3,77%, a 11,22 reais, mesmo após a empresa afirmar que números sobre os resultados da companhia para 2024 em uma imagem que circulou no mercado não devem ser considerados como projeções ou guidances financeiros. Na foto, entre outras informações, aparece como "compromisso 2024" um lucro líquido de 210 milhões de reais, bem abaixo da previsão de 405,60 milhões de reais segundo projeções de mercado compiladas pela LSEG. A companhia explicou que foram distribuídos às equipes operacionais "termos de compromisso" com metas gerenciais simplificadas, que excluem entre outros itens curva de depreciação e operações com derivativos.

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