Ibovespa firma-se em queda com Petrobras pressionada por recuo do petróleo

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa firmava-se no território negativo nesta terça-feira, com Petrobras entre as maiores pressões de baixa na esteira do declínio dos preços do petróleo no exterior, enquanto agentes financeiros também avaliavam dados de inflação antes de decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil na quarta-feira.

Às 12:26, o Ibovespa caía 0,47 %, a 126.319,32 pontos. Na máxima mais cedo, chegou a 127.359,19 pontos. No pior momento, caiu a 126.174,03 pontos.

Nos Estados Unidos, o Departamento do Trabalho divulgou que o índice de preços ao consumidor subiu 0,1% no mês passado, depois de ficar inalterado em outubro. Em 12 meses, avançou 3,1%, depois de alta de 3,2% em outubro. Projeções apontavam estabilidade no mês e aumento de 3,1% na base anual.

Os números vieram um dia antes da decisão de política monetária do Federal Reserve, que será acompanhada de projeções dos membros do banco central norte-americano e coletiva do chair da instituição, Jerome Powell. A previsão é de manutenção da taxa em 5,25% a 5,50%, com o foco voltado para os próximos movimentos.

Para Michelle Cluver, estrategista de portfólio da Global X ETF, os dados de inflação nesta terça-feira aproximaram-se muito das expectativas do mercado e é pouco provável que tenha qualquer impacto significativo nas expectativas das taxas de juro a curto prazo.

"Espera-se que o Fed permaneça 'on hold' na reunião do Fomc de amanhã, mas o foco está em saber se há uma atualização no número de cortes refletidos no 'dot plot' para o próximo ano", acrescentou.

No Brasil, o IPCA mostrou alta de 0,28% em novembro, acumulando em 12 meses elevação de 4,68%. Analistas estimavam aumento de 0,30% no mês e de 4,70% em 12 meses. Na quarta-feira, o BC brasileiro também anuncia decisão sobre os juros no país, com o mercado aguardando novo corte de 0,5 p.p. na Selic.

"A leitura do IPCA de novembro continuou mostrando que a desaceleração da inflação continua em curso e não há nada a se preocupar", afirmou a estrategista de inflação da Warren Rena, Andréa Angelo, em comentário a clientes.

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"O número de hoje não traz novidades em relação à parte qualitativa da inflação, ou seja, a desinflação dos núcleos e serviços permanece em linha com o esperado, e segue como notícia positiva dado o momento do mercado de trabalho e o forte desempenho da atividade econômica", acrescentou.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN recuava 1,14%, a 33,97 reais, em dia de queda dos preços do petróleo no exterior, com o barril de Brent negociado em baixa de 2,58%. Também de pano de fundo está o acordo em que a Eletrobras pagará 1,156 bilhão de reais à empresa para encerrar discussões sobre empréstimo compulsório. No setor, PETRORECONCAVO ON caía 2,65%; 3R PETROLEUM ON perdia 2,3% e PRIO ON cedia 1,81%.

- BANCO DO BRASIL ON caía 1,73%, a 53,21 reais, com analistas do Bradesco BBI cortando a recomendação dos papéis para "neutra", com preço-alvo de 59 reais. No setor, ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,82%, a 31,54 reais, enquanto BRADESCO PN caía 0,18%, a 16,30 reais. Na véspera, o Bradesco anunciou 2 bilhões de reais em JCP intercalares e mais 5 bilhões de reais em JCP complementares.

- HAPVIDA ON mostrava declínio de 0,47%, a 4,21 reais, após a companhia anunciar que diretor financeiro e de relações com investidores, Mauricio Fernandes Teixeira, renunciou ao cargo, que será ocupado de forma interina pelo atual diretor de mercado de capitais, Luccas Augusto Adib. Teixeira foi eleito membro do conselho de administração da empresa. Na mínima, mais cedo, o papel chegou a 4,03 reais.

- GPA ON tinha elevação 2,23%, a 4,13 reais, após forte ajuste de baixa na véspera (-6,7%), com investidores ainda digerindo os planos de uma oferta de ações divulgados no domingo pela companhia, bem como a proposta de troca do conselho de administração. O varejista também anunciou na noite de segunda-feira revisão em um plano de abertura de lojas divulgado em setembro, adiando de 2024 para 2026 a meta de abertura de novos pontos de venda. As notícias vieram poucos dias após evento da empresa com analistas e investidores na semana passada.

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- ASSAÍ ON avançava 1,85%, a 12,13 reais, e CARREFOUR BRASIL ON valorizava-se 0,72%, a 11,17 reais, com os dados do IPCA mostrando aumento nos preços dos alimentos em novembro, com esse grupo acelerando a alta para 0,63% no mês passado, de 0,31% em outubro.

- VALE ON subia 0,10%, a 72,93 reais, uma vez que os futuros de minério de ferro se recuperaram nesta terça-feira, em meio ao ressurgimento das esperanças de mais estímulos para a economia da China. O contrato mais negociado na Dalian Commodity Exchange (DCE) encerrou o dia com alta de 1,52%. A mineradora também inaugura nesta terça-feira a primeira planta de briquete de minério de ferro do mundo em Vitória (ES), um marco rumo à diversificação de portfólio.

- ELETROBRAS ON cedia 0,56%, a 40,63 reais, tendo no radar acordo com a Petrobras envolvendo pagamento de 1,156 bilhão de reais para a petroleira para encerrar todas as discussões no processo judicial entre as empresas sobre o empréstimo compulsório. O acordo, que põe fim a uma disputa iniciada em 2010, faz parte do plano da elétrica de reduzir as provisões bilionárias com o empréstimo compulsório, seu principal passivo contencioso, que soma 19 bilhões de reais.

- USIMINAS PNA mostrava declínio de 0,24%, a 8,48 reais, tendo também como pano de fundo a decisão da companhia de desligar temporariamente o alto-forno 1 de Ipatinga (MG), em meio aos custos gerados pela retomada da operação do maior alto-forno da usina, o de número 3, e forte concorrência de importações de aço no mercado interno. Na abertura, Usiminas chegou a subir a 8,65 reais, máxima intradia desde agosto de 2022, endossada por relatório do Itaú BBA elevando a recomendação das ações para "market perform", bem como o preço-alvo para 9,5 reais para o final de 2014, de 7 reais anteriormente.

- CCR ON subia 0,14%, a 14,08 reais, tendo no radar que a BH Airport, sua controlada indireta concessionária do Aeroporto Internacional de Confins, em Confins, receberá do governo federal 28 milhões de reais em razão dos prejuízos causados pela pandemia de Covid-19 este ano. A companhia também divulgou dados operacionais de novembro.

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