Juros futuros caem após dados de inflação dentro do esperado no Brasil e nos EUA

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam esta terça-feira em baixa, reagindo aos dados de inflação divulgados no Brasil e nos Estados Unidos, que sugeriram a continuidade do arrefecimento de preços e reforçaram a expectativa de taxas de juros mais baixas nos dois países.

No início da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,28% em novembro, um pouco acima da taxa de 0,24% do mês anterior, mas abaixo da expectativa da pesquisa da Reuters, de 0,30%.

O IPCA acumulou nos 12 meses até novembro alta de 4,68%, abaixo do teto da meta para 2023, de 4,75%.

Nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,1% no mês passado, depois de ficar estável em outubro, informou o Departamento do Trabalho. Nos 12 meses até novembro, o índice avançou 3,1%, depois de alta de 3,2% em outubro. Economistas consultados pela Reuters previram que o índice de preços ao consumidor ficaria inalterado no mês e aumentaria 3,1% na base anual.

Apesar da leve alta do índice cheio, o núcleo o CPI, que exclui os componentes voláteis de alimentos e energia, subiu 0,3% em novembro, em linha com a expectativa dos economistas.

“Tanto o CPI quanto o IPCA ficaram perto do consenso do mercado, o que fez a curva de juros no Brasil fechar”, pontuou Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

No Brasil, por trás do movimento está a percepção de que o Banco Central tende a manter nos próximos meses o ritmo de cortes de 0,50 ponto percentual da taxa básica Selic, hoje em 12,25% ao ano. Nos EUA, a visão é de que o Federal Reserve poderá iniciar o processo de corte de juros já no primeiro semestre de 2024, embora os números desta terça-feira sugiram um banco central ainda conservador.

“Ambos os indicadores divulgados hoje (terça-feira) vieram em linha com o cenário elaborado pelos bancos centrais dos respectivos países”, avaliou Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, em comentário enviado a clientes.

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“No caso do Brasil, o número divulgado hoje é compatível com a estratégia de política monetária implementada pelo BCB, que deverá anunciar novo corte de 50 pontos-base na taxa Selic ao final da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). E no caso dos Estados Unidos, o CPI divulgado hoje deve fortalecer a postura cautelosa do Comitê de Política Monetária (Fomc) do Federal Reserve, que deverá manter a taxa de juros inalterada e sinalizar que é cedo para começar a pensar em cortes de juros”, acrescentou Olivares.

Tanto o Copom quanto o Fomc anunciam na quarta-feira suas últimas decisões do ano sobre juros. Mais do que as decisões em si, os investidores estarão atentos às sinalizações para os encontros seguintes de política monetária.

Perto do fechamento desta terça-feira, a curva a termo precificava 100% de chances de o corte da Selic na quarta-feira ser de 0,50 ponto percentual, como vem sinalizando o BC. As chances de corte de 0,75 ponto percentual estavam em zero.

Para o encontro seguinte, no fim de janeiro, a expectativa majoritária é de novo corte de 0,50 ponto percentual.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,255%, ante 10,319% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,895%, ante 9,972% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2027 estava em 10,005%, ante 10,079%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,275%, ante 10,349%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,73%, ante 10,788%.

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Às 16:39 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 3,10 pontos-base, a 4,2082%.

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