Taxas futuras de juros voltar a cair no Brasil com Fed ofuscando efeito do Copom na ponta curta

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira em queda no Brasil, pela quarta sessão consecutiva, em sintonia com a baixa dos rendimentos dos Treasuries no exterior, que ainda repercutiam a postura do Federal Reserve mais branda com a inflação, ofuscando boa parte dos impactos, na ponta curta da curva brasileira, da decisão do Copom na noite anterior.

Na tarde de quarta-feira, o Fed anunciou a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 5,25% a 5,50%, como esperado, mas projetou cortes de juros de 75 pontos-base em 2024 -- mais do que o previsto anteriormente -- e inflação na meta de 2% em 2026. A postura foi considerada mais branda com a inflação do que em reuniões anteriores, o que levou as taxas dos Treasuries e dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) a cederem.

Este movimento continuou nesta quinta-feira, com a curva de juros norte-americana novamente fechando, em meio à percepção de que aumentaram as chances de o Fed promover cortes de juros já em março do próximo ano. No Brasil, as taxas dos contratos futuros de juros também cediam.

“Muito disso é continuidade do movimento que vimos ontem (quarta-feira), de repercussão das decisões de política monetária nos EUA e no Brasil. A surpresa maior foi com o Fed, que manteve os juros, mas passou um comunicado mais favorável, prevendo cortes”, comentou João Ferreira, sócio da One Investimentos.

O yield do Treasury de dez anos -- uma referência global de investimentos -- cedeu para abaixo dos 4%, o que fez durante boa parte do dia as taxas dos DIs mais negociados caírem mais de 10 pontos-base.

Essa pressão baixista vinda do exterior ofuscou boa parte dos impactos previstos para a ponta curta da curva brasileira, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na noite de quarta.

Como esperado, o Copom cortou a taxa básica Selic em 0,50 ponto percentual, para 11,75% ao ano, mas reforçou a intenção de promover pelo menos mais dois cortes de mesma magnitude.

Como na sessão de quarta-feira as taxas dos DIs haviam desabado durante a tarde em função do noticiário ligado ao Fed, a leitura era de que a comunicação do Copom trazia um viés mais hawkish (duro com a inflação) para os negócios no Brasil.

Assim, profissionais ouvidos pela Reuters avaliaram que, se o exterior não trouxesse novidades, as taxas curtas poderiam subir nesta quinta-feira, em um processo de ajuste. Porém, a queda dos yields dos títulos norte-americanos se sobrepôs à influência do Copom, e as taxas dos DIs cederam novamente, ao longo de toda a curva.

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Durante a tarde, porém, a queda das taxas futuras diminuiu, em especial entre os contratos mais curtos, em meio a uma pequena recuperação dos yields e ao noticiário ligado ao Congresso, que está na reta final dos trabalhos em 2023.

Numa derrota para o governo, o Congresso votou pela derrubada do veto presidencial ao projeto que prorroga até 2027 a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia. A rejeição do veto dificulta os esforços do governo para incrementar a arrecadação federal e sua intenção de cumprir a meta fiscal de resultado primário zero em 2024.

Além disso, uma comissão mista do Congresso aprovou a medida provisória que regulamenta as subvenções, após alterações flexibilizarem a proposta original do governo, incluindo também uma regra mais frouxa para o mecanismo de Juros sobre Capital Próprio (JCP).

Com as mudanças feitas pela comissão, o potencial de arrecadação poderá cair. O Ministério da Fazenda, que ainda não apresentou novas estimativas de impacto, projetava um ganho de 45,8 bilhões de reais para o ano que vem -- 35,3 bilhões de reais com o tema das subvenções e 10,5 bilhões de reais com JCP.

Neste cenário, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,12%, ante 10,169% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,725%, ante 9,741% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2027 estava em 9,825%, ante 9,846%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,085%, ante 10,126%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,53%, ante 10,591%.

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Perto do fechamento a curva a termo precificava 92% de chances de o corte da Selic em janeiro ser de 0,50 ponto percentual, como vem sinalizando o BC. As chances de corte de 0,75 ponto percentual estavam em 8%.

Às 16:39 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 9,40 pontos-base, a 3,9394%.

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