Americanas recebe mais apoios a acordo para plano de recuperação

SÃO PAULO (Reuters) - A Americanas anunciou nesta sexta-feira que recebeu apoio do Banco ABC Brasil e do Itaú Asset Management para um acordo sobre seu plano de recuperação judicial que pretende reunir os principais credores da companhia.

Segundo a Americanas, com o aceite das duas instituições ao acordo, a empresa reuniu apoio a seu plano de recuperação judicial de credores que representam mais de 47% da dívida da companhia.

A Americanas afirmou ainda que "foi informada" de aprovações internas de outros credores ao acordo, chamado pela empresa de PSA, e que se essas aprovações se converterem em assinaturas até a próxima segunda-feira terá adesão de credores detentores de mais 50% da dívida da companhia. A empresa não citou o nome dos credores neste caso.

A companhia, responsável por um dos maiores pedidos de recuperação judicial da história do Brasil em meio a acusações de fraude contábil bilionária, já conseguiu apoio dos bancos Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil, BTG Pactual, BV e Daycoval.

O Safra, que detém cerca de 2,5 bilhões de reais da dívida da Americanas, segue contra o apoio ao plano de recuperação judicial da empresa como proposto atualmente, afirmando que os termos implicam em interrupção das investigações sobre a fraude contábil.

A assembleia de credores da Americanas para aprovar o plano de recuperação judicial está marcada para a próxima terça-feira em primeira convocação. Uma segunda chamada está prevista para 22 de janeiro.

O plano de recuperação envolve injeção de 12 bilhões de reais pelo trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, 12 bilhões em transformação de dívida em ações da empresa e descontos nas dívidas dos credores que variam de 50% a 80%, a depender das opções que escolham para receber parte do que a empresa deve.

A aprovação do plano de recuperação ainda neste ano é prioridade da companhia, que mira uma homologação pela Justiça do Rio de Janeiro já no início de 2024. A empresa tem pressa uma vez que tenta competir no varejo nacional sem ter acesso a recursos em condições de mercado para financiar suas vendas e em um ambiente em que rivais internacionais como Shopee, Aliexpress e Amazon estão ampliando suas operações no país num contexto de juros ainda elevados e consumo retraído.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o escândalo da varejista, que teve de recorrer à recuperação judicial no início do ano sob peso de 50 bilhões de reais em dívidas, foi encerrada em setembro sem apontar responsáveis pelo rombo.

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(Por Alberto Alerigi Jr.)

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