Dólar tem recuperação ante tombo pós-Fed e zera perdas na semana

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar acelerou a alta frente ao real nesta sexta-feira, recuperando-se de quedas recentes e zerando suas perdas semanais, mesmo depois que cresceram as esperanças de que o Federal Reserve começará a cortar os juros no primeiro trimestre do ano que vem.

Às 10:35 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,68%, a 4,9488 reais na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,68%, a 4,9510 reais.

Operadores disseram que o movimento reflete, em parte, uma correção após duas quedas seguidas da divisa norte-americana. Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9155 reais na venda, em baixa de 0,10%, depois de recuar quase 1% na quarta, após o Fed anunciar a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 5,25% a 5,50%, como esperado, mas projetar cortes de juros de 75 pontos-base em 2024 -- mais do que o previsto anteriormente.

No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de pares fortes também se recuperava de baixas recentes, em alta de 0,20% no dia.

Em relação ao fechamento da última sexta-feira, o índice do dólar ainda mirava seu pior desempenho semanal em cinco meses. Por aqui, no entanto, a moeda norte-americana zerou as perdas acumuladas na semana com a recuperação desta sexta-feira.

A alta do dólar também pode ser reflexo de uma demanda sazonal pela divisa norte-americana, disseram operadores, à medida que o final do ano se aproxima e as empresas brasileiras se preparam para enviar remessas de dinheiro ao exterior, o que pode prejudicar o real na reta final de 2023.

Ainda assim, o dólar segue confortavelmente abaixo da marca psicologicamente importante de 5 por dólar.

"O real tende a ter ventos contrários sazonais no final do ano, mas isso pode não ser suficiente (para derrubar a moeda), dados os fundamentos fortes, como o 'carry', e uma orientação consistente do Copom para um ciclo de afrouxamento cauteloso", disse o Citi em relatório a clientes.

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O banco norte-americano fez referência a operações de "carry trade", que consistem na tomada de empréstimo em país de juro baixo e aplicação desses recursos em mercado mais rentável.

No Brasil, com a Selic ainda em patamar muito restritivo, o "carry" (ou carrego) do real segue muito atraente para investidores estrangeiros, e "levará algum tempo antes de o ciclo de afrouxamento do Banco Central prejudicar a força do real", avaliou o Citi.

Nesta semana, o BC cortou a Selic em 0,50 ponto percentual pela quarta vez consecutiva, a 11,75% ao ano.

Participantes do mercado disseram à Reuters nesta sexta-feira que o Congresso é um ponto de atenção, com expectativa de votação da reforma tributária na Câmara.

Um acordo do governo com o Congresso deve assegurar a apreciação do restante da pauta econômica até a semana que vem, em troca da derrubada de um veto do arcabouço fiscal que limita o pagamento das emendas orçamentárias de comissão, disseram à Reuters duas fontes governistas.

(Por Luana Maria Benedito)

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