Taxas futuras de juros têm leves baixas de olho nos títulos de dez anos dos EUA

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs emplacaram nesta sexta-feira a quinta sessão consecutiva de baixas no Brasil -- ainda que contidas no dia -- novamente sob influência do exterior, onde os rendimentos dos títulos norte-americanos de dez anos cederam durante boa parte da sessão, a despeito de uma autoridade do Federal Reserve ter refutado a perspectiva de corte de juros nos EUA no curto prazo.

Em dez dias úteis de dezembro, as taxas futuras cederam em sete deles, subiram em dois e ficaram praticamente estáveis em um. Este movimento ocorreu em grande parte em função da expectativa de que o Fed poderá cortar sua taxa básica de juros a partir de março -- como já vem sendo precificado de forma majoritária pela curva norte-americana.

Na última quarta-feira, a perspectiva foi reforçada após o Fed anunciar a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 5,25% a 5,50%, como esperado, mas projetar cortes de 75 pontos-base em 2024 -- mais do que o previsto anteriormente.

Nesta sexta-feira, porém, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, rejeitou as crescentes expectativas em relação a cortes na taxa de juros dos EUA. Segundo ele, o Fed ainda se concentra em verificar se a política monetária está no caminho certo para continuar levando a inflação à meta de 2%.

"Não estamos realmente falando sobre cortes de juros no momento", disse Williams em entrevista à CNBC.

A fala de Williams deu certo suporte aos títulos norte-americanos de curto prazo -- como o Treasury de dois anos -- e ao dólar ante diversas divisas, mas não foi suficiente para sustentar o título de dez anos no território positivo.

Em sintonia com a leve queda do Treasury de dez ano durante boa parte da sessão, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) se mantiveram com leves baixas no Brasil.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,11%, ante 10,115% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,715%, ante 9,722% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2027 estava em 9,795%, ante 9,821%.

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Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,05%, ante 10,078%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,49%, ante 10,518%.

Perto do fechamento a curva a termo precificava 86% de chances de o corte da Selic em janeiro ser de 0,50 ponto percentual, como vem sinalizando o BC. As chances de corte de 0,75 ponto percentual estavam em 14%.

No Brasil, os agentes do mercado também seguiram atentos à agenda de votações no Congresso Nacional. Na quinta-feira, a derrubada do veto presidencial ao projeto que prorroga até 2027 a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia foi mal recebida pelo mercado.

Nesta sexta-feira, a expectativa girava em torno do projeto de reforma tributária e, em especial, das “exceções” incorporadas à proposta durante a tramitação, que podem elevar o risco fiscal.

Às 16:39 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 0,10 ponto-base, a 3,9315%.

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