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Americanas diz que Safra passa a apoiar plano de recuperação judicial

SÃO PAULO (Reuters) -A Americanas anunciou nesta segunda-feira que o banco Safra e outros credores decidiram aderir a um acordo entre os principais detentores da dívida da companhia que prevê apoio para aprovação do plano de recuperação judicial da empresa.

O banco Safra, que vinha dizendo que a adesão ao acordo implicaria em concordância com cláusulas que buscam evitar que credores permaneçam investigando "as verdadeiras causas das fraudes perpetradas na companhia", aderiu ao chamado PSA juntamente com BTG Pactual Asset Management e Oliveira Trust, que é agente fiduciário da 17ª emissão de debêntures da Americanas, de acordo com fato relevante da varejista.

Com as adesões, a Americanas afirmou que conseguiu apoio suficiente para aprovar seu plano de recuperação judicial, do ponto de vista do volume da dívida envolvida, em assembleia prevista para terça-feira.

O plano de reestruturação prevê injeção de 12 bilhões de reais pelos três "acionistas de referência", os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, entre outras ações de resgate da companhia, como conversão de parte da dívida da empresa em ações.

Representantes do Safra não puderem comentar o assunto de imediato.

Além do Safra, da asset do BTG e da Oliveira Trust, também apoiam o plano os bancos Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil, BTG Pactual, BV e Daycoval.

As ações da rede de varejo exibiam alta de 2,2% às 10h27, cotadas a 0,92 real. Os papéis não fazem parte do Ibovespa, que mostrava altad e 0,48% no horário.

CLIENTES DIMINUEM

Na noite de sexta-feira, a Americanas divulgou um relatório mensal com dados sobre a operação da companhia que mostrou queda de mais de 7,5 milhões de clientes ativos da empresa desde dezembro de 2022 até novembro deste ano.

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Segundo o "balanço de informações para RMA" de novembro publicado pela Americanas, a empresa tinha 49,12 milhões de clientes em dezembro de 2022, número que passa a encolher mensalmente desde janeiro deste ano, quando o grupo divulgou "inconsistências contábeis" bilionárias que acabaram forçando o pedido de proteção contra credores.

A base de clientes da Americanas em novembro recuou para 41,56 milhões, em um momento mais aquecido para o varejo nacional diante de datas como Black Friday e proximidade do Natal.

Procurada, a companhia não pôde comentar o assunto de imediato.

Enquanto o número de clientes da Americanas despencou 15,4% entre dezembro de 2022 e o mês passado, a base de lojas da companhia mostrou retração de 6,5% no período, saindo de 1.882 unidades para 1.759 pontos de venda e ficando estável ante outubro.

No relatório divulgado na sexta-feira, a Americanas informou ainda um caixa total de 1,55 bilhão de reais em novembro ante 4,63 bilhões em dezembro do ano passado. Enquanto isso, o prazo de pagamento de fornecedores, que era de mais de 120 dias, caiu 5 dias no mês passado.

(Por Alberto Alerigi Jr., edição de Pedro Fonseca)

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