Toshiba deixa bolsa de Tóquio após 74 anos e encara futuro com novos proprietários

Por Anton Bridge

TÓQUIO (Reuters) - A Toshiba foi retirada da bolsa de valores de Tóquio nesta quarta-feira, depois de 74 anos, em decorrência de uma década de turbulências e escândalos que abalaram uma das maiores marcas japonesas e deram início a uma compra e a um futuro incerto.

O conglomerado está sendo conduzido por um grupo de investidores liderado pela empresa de private equity Japan Industrial Partners (JIP), que também inclui a empresa de serviços financeiros Orix, a empresa de serviços públicos Chubu Electric Power e a fabricante de chips Rohm.

A aquisição, no valor de 14 bilhões de dólares, coloca a Toshiba em mãos domésticas após longas batalhas com investidores estrangeiros que paralisaram a fabricante de baterias, chips e equipamentos nucleares e de defesa.

A Toshiba "agora dará um passo importante em direção a um novo futuro com um novo acionista", disse a empresa em um comunicado, acrescentando que apreciaria a compreensão e o apoio contínuos de seus acionistas.

As ações da Toshiba encerraram a terça-feira, seu último dia de negociação, em 4.590 ienes, uma queda de 0,1% em relação ao dia anterior.

Embora não esteja claro qual forma a Toshiba assumirá sob seus novos proprietários, espera-se que o presidente-executivo Taro Shimada, que permanecerá em seu cargo após a aquisição, concentre-se em serviços digitais de alta margem.

O apoio da JIP a Shimada descarrilou o seu plano anterior de se associar a um fundo apoiado pelo Estado. Alguns especialistas do setor dizem que dividir a Toshiba pode ser uma opção melhor.

“As dificuldades da Toshiba foram causadas, fundamentalmente, por uma combinação de más decisões estratégicas e má sorte”, disse Damian Thong, chefe de pesquisa do Japão na Macquarie Capital Securities.

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“Espero que, através de desinvestimentos, os ativos e o talento humano da Toshiba possam encontrar novos lares onde todo o seu potencial possa ser liberado.”

O governo do Japão estará observando de perto. A empresa emprega cerca de 106.000 pessoas e algumas de suas operações são consideradas essenciais para a segurança nacional

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