Dólar à vista opera em baixa com liquidez global reduzida após o Natal

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar registra leve baixa ante o real nesta terça-feira, numa sessão que promete ser de liquidez reduzida já que várias praças de negócios seguem fechadas ao redor do mundo, enquanto no Brasil o Congresso entrou em recesso parlamentar após a aprovação do Orçamento da União para 2024, na última sexta-feira.

Às 10:04 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,26%, a 4,8490 reais na venda.

Na B3, às 10:04 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,25%, a 4,8445 reais.

No exterior, o dólar opera em leve alta ante uma cesta de moedas fortes, mas tem sinais mistos ante as demais divisas. O rendimento do Treasury de dez anos -- principal referência dos ativos ao redor do mundo -- oscilava perto dos 3,90%, muito próximo do fechamento da sessão anterior.

Esta calmaria pós-Natal era favorecida pelo "Boxing Day" -- feriado que mantém várias praças de negócios fechadas ao redor do mundo, em especial os países anglófonos, reduzindo a liquidez.

"A última semana de negociações do ano inicia com a liquidez reduzida devido ao Boxing Day em várias praças e à agenda sem grandes novidades", pontuou Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura.

No Brasil, a aprovação do Orçamento de 2024 na última sexta-feira deu início ao recesso parlamentar, que vai até o início de fevereiro.

No mercado cambial, a percepção mais geral entre os agentes do mercado é de que o dólar ainda tem espaço para continuar a ceder ante o real na virada de 2023 para 2024.

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"Tem um fluxo comercial enorme chegando no Brasil, mais de 20 bilhões de dólares no curto prazo, ainda que o Banco Central nem esteja fazendo os leilões de linha tradicionais de final do ano", pontuou Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master, em análise enviada a clientes.

Os leilões de linha são as operações em que o BC vende dólares ao mercado, com compromisso de recompra no futuro. Tradicionamente, a instituição realiza leilões de linha em dezembro, para dar conta da demanda por moeda por parte de fundos e multinacionais, que precisam remeter recursos ao exterior.

"Mas neste ano (...) o fluxo está tão forte que o BC não está colocando estes leilões e ainda assim a moeda (real) está se valorizando", acrescentou Gala, para quem é possível imaginar um dólar em 4,50 reais nos próximos meses.

Na última sexta-feira, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8615 reais na venda, em baixa de 0,54%.

O Banco Central fará nesta sessão leilão de até 14.248 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de fevereiro de 2024.

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