Dólar cai pela 3ª sessão com alta de commodities e baixa liquidez

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista emplacou nesta terça-feira a terceira sessão consecutiva de baixa no Brasil, em sintonia com a queda da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, em um dia marcado pela alta firme de commodities como petróleo e minério de ferro e pela liquidez reduzida após o Natal.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8225 reais na venda, em baixa de 0,80%. Em dezembro, a moeda norte-americana acumula queda de 1,89%.

Na B3, às 17:11 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,78%, a 4,8185 reais.

Como era de se esperar para a última semana do ano, espremida entre o Natal e o Ano Novo, o volume de negócios foi reduzido nos mercados -- alguns deles nem abriram em função do “Boxing Day”, feriado adotado por vários países, em especial os de língua inglesa.

Os rendimentos do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- se mantiveram na maior parte do dia em leve baixa, o que também favorecia o viés negativo para a divisa dos EUA ante outras moedas.

A alta dos preços de commodities como o minério de ferro e o petróleo, de acordo com João Ferreira, sócio da One Investimentos, também contribuía para a queda do dólar no Brasil.

“Apesar de não termos notícia relevante no cenário, (a queda do dólar ante o real) pode ser uma puxada reflexo da valorização de preços de commodities. A gente viu o minério de ferro dando uma empolgada com a continuidade de estímulos lá na China”, destacou Ferreira. “Este cenário de commodity para cima acaba enfraquecendo o dólar em relação às moedas de exportadores de matérias-primas.”

Os contratos futuros do minério de ferro subiram nesta terça-feira impulsionados pela esperança de medidas de estímulo para impulsionar a economia chinesa e pela expectativa de uma demanda robusta pela matéria-prima.

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O minério de ferro de maio mais negociado na Dalian Commodity Exchange da China subiu 1,3%, para 137,22 dólares por tonelada. Na Bolsa de Cingapura, o minério de ferro para janeiro subiu 1,2%, a 138,7 dólares por tonelada.

Em meio à baixa liquidez, o movimento do dólar ante o real também se mostrou mais intenso em alguns momentos. Às 9h48, a moeda norte-americana à vista marcou a cotação máxima de 4,8620 reais (+0,01%) e, às 15h11, registrou a mínima do dia de 4,8173 reais (-0,91%).

Durante o dia, investidores também seguiram atentos à possibilidade de o Ministério da Fazenda anunciar, ainda em 2023, novas iniciativas na área fiscal, mirando a meta de resultado primário zero no próximo ano.

Pela manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que anunciará as novas medidas assim que elas estiverem prontas.

À tarde, Haddad informou que o governo vai lançar nesta semana um programa de depreciação acelerada, permitindo que empresas deduzam da base de cálculo de tributos os investimentos em máquinas e equipamentos.

Às 17:11 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- caía 0,17%, a 101,470.

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Também pela manhã, o BC vendeu todos os 14.248 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de fevereiro.

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