Dólar vira para o positivo após bater R$4,80, com mercado à espera de medidas econômicas

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar iniciou a quarta-feira no Brasil novamente em queda ante o real, na esteira do recuo da moeda norte-americana também no exterior, mas a divisa se recuperou ainda na primeira hora de negócios e passou a registrar leves ganhos, com o mercado no Brasil à espera de novas medidas econômicas a serem anunciadas até o fim da semana.

Às 10:01 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,24%, a 4,8340 reais na venda.

Na B3, às 10:01 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,37%, a 4,8280 reais.

Assim como na véspera, a sessão desta quarta-feira começou com notícias vindas da China impulsionando o preço do minério de ferro -- o que em tese favorece moedas de países exportadores da commodity, como o Brasil. Por outro lado, a alta das commodities não é generalizada como visto na terça-feira, com os preços do petróleo recuando no exterior.

Os rendimentos do Treasury de dez anos -- referência global para investimentos -- operam em leve queda, assim como o dólar ante uma cesta de moedas fortes.

Às 10:01 (de Brasília), o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,16%, a 101,310.

No Brasil, o dólar à vista chegou a cair aos 4,80 reais no início dos negócios, em sintonia com o exterior, mas a partir daí a divisa recuperou o fôlego e migrou para o território positivo.

A agenda do dia traz alguns indicadores econômicos, mas com pouco potencial para influenciar de forma mais intensa os ativos, mesmo porque a semana entre Natal e Ano Novo é de liquidez reduzida. Boa parte dos participantes do mercado se posicionou para esperar a chegada de janeiro sem atropelos.

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Mais cedo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 2,6 pontos em dezembro ante novembro, para 95,3 pontos. Este é o melhor resultado desde outubro de 2022.

Às 16h, o Tesouro publicará os números das contas públicas em novembro, com entrevista coletiva dos técnicos da secretaria às 16h30 -- já no fechamento do mercado de juros futuros e perto do encerramento dos negócios no mercado de câmbio.

Mais do que aos dados econômicos, os agentes do mercado estarão atentos ao governo, que promete anunciar até o fim da semana novas medidas na área econômica.

Na véspera, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo vai lançar um programa de depreciação acelerada e uma alternativa à desoneração da folha de pagamentos das empresas. O envio das propostas ao Congresso ainda depende da aprovação final da Casa Civil e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na terça-feira o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8225 reais na venda, em baixa de 0,80%. Foi a terceira sessão consecutiva de queda da moeda norte-americana ante o real.

O Banco Central fará nesta sessão leilão de até 16.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de março de 2024.

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