Dólar passa a subir em sessão volátil antes de Haddad e após dados de inflação

Por Luana Maria Benedito

(Reuters) -O dólar passou a subir moderadamente frente ao real nesta quinta-feira, no último pregão do ano, com investidores no aguardo de coletiva de imprensa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e digerindo dados de inflação domésticos, enquanto, no exterior, o clima era favorável a ativos de risco.

Às 9:47 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,25%, a 4,8447 reais na venda.

Márcio Riauba, gerente da mesa de operações da StoneX, disse que a sessão contava com volatilidade devido à baixa liquidez, a poucos dias do fim do ano, e também por causa do fechamento da taxa Ptax de dezembro.

A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central que serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas ou vendidas em dólar.

Na B3, às 9:47 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,35%, a 4,8420 reais.

O grande foco do dia é Haddad, que dará entrevista coletiva à imprensa na manhã desta quinta-feira, provavelmente para anunciar uma proposta alternativa à desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia vetado a extensão do benefício, mas a medida foi derrubada pelos parlamentares em meados deste mês. Haddad prometeu anunciar alternativas "prudentes" que assegurem um Orçamento mais equilibrado no próximo ano, ressaltando que uma medida provisória fará parte do conjunto de iniciativas.

Participantes do mercado também chamaram a atenção para dados de inflação divulgados mais cedo, que mostraram que o IPCA-15 superou expectativas e subiu 0,40% em dezembro, embora ainda tenha fechado 2023 com alta de 4,72% --resultado que está dentro da banda de tolerância da meta oficial de inflação.

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O resultado tende a reforçar a visão já predominante no mercado de que o Banco Central manterá o atual ritmo de afrouxamento monetário de 0,50 ponto percentual.

Enquanto isso, no exterior, o índice do dólar contra uma cesta de pares fortes tinha leve queda.

Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, citou menor aversão a risco global nesta sessão, em meio à recente queda nos rendimentos dos títulos norte-americanos, já que há grande expectativa de que o Federal Reserve comece a cortar os juros no ano que vem.

O dólar estava a caminho de encerrar este ano com queda acumulada de mais de 8% frente ao real. A moeda brasileira foi apoiada em 2023 em grande parte pelo alívio de temores fiscais domésticos, mas também pelo diferencial de juros ainda relevante entre Brasil e Estados Unidos.

Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8326 reais na venda, em alta de 0,21%.

(Edição de Paula Arend Laier)

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