Taxas futuras sobem pela 4ª sessão em sintonia com os Treasuries

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a terça-feira em alta no Brasil, pela quarta sessão consecutiva, acompanhando novamente o avanço dos rendimentos dos Treasuries, com investidores reduzindo as apostas de que o Federal Reserve iniciará o ciclo de corte de juros em março.

O mercado futuro brasileiro registrou a abertura da curva de juros em cinco das seis sessões de 2024, com influência principalmente do exterior. Desde a semana passada, quando dados do relatório payroll mostraram uma criação de vagas de trabalho em dezembro acima do esperado, investidores têm reduzido as apostas em corte de juros pelo Fed em março, embora a precificação desta perspectiva ainda seja majoritária na curva.

Nesta terça-feira, o movimento continuou.

“Este movimento de (rendimentos dos) Treasuries para cima acaba se refletindo aqui no Brasil. E a semana também começou mais devagar. A falta de notícias se torna uma notícia ruim”, comentou Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital. “O mercado está apreensivo com a perspectiva de o Fed não conseguir baixar os juros rapidamente.”

Investidores aguardam a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, na quinta-feira, e dos primeiros balanços corporativos norte-americanos, na sexta-feira, para avaliar os rumos da economia e, em paralelo, o futuro da política monetária do Fed. No Brasil, o destaque será a divulgação da inflação oficial na quinta-feira.

“Juros dos Treasuries sobem e são cotados perto de 4,05% antes do CPI, com alertas de que a queda na taxa de juros foi exagerada (Bill Gross) e com fala de Michelle Bowman, membro do Board do Fed, que resumidamente comentou que não há pressa para cortar os juros”, destacou em comentário enviado a clientes pela manhã o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior.

Bill Gross é um conhecido investidor do mercado de títulos norte-americano, enquanto Bowman é diretora do Fed. Na segunda-feira, o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, também opinou sobre os juros. Segundo ele, com a inflação ainda acima da meta de 2%, sua tendência é defender que a política monetária permaneça rígida.

No Brasil, ficaram em segundo plano as negociações em torno da proposta do governo para reonerar a folha de pagamentos de empresas -- um fator que, na véspera, havia sustentado a alta das taxas futuras de juros.

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O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou nesta terça-feira que a prorrogação da desoneração da folha de setores da economia foi uma decisão do Congresso e dificilmente a revogação do benefício avançará no Legislativo. No entanto, Pacheco afirmou que não tomará nenhuma decisão sobre a proposta antes de conversar com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Neste cenário, no fim da tarde desta terça-feira a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,125%, ante 10,08% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,78%, ante 9,708% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2027 estava em 9,9%, ante 9,844%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,135%, ante 10,083%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,53%, ante 10,497%.

Perto do fechamento a curva a termo precificava 97% de chances de o corte da taxa básica Selic no fim de janeiro ser de 0,50 ponto percentual, como vem sinalizando o BC. A possibilidade de corte de 0,75 ponto percentual estava precificada em 3%. Atualmente, a Selic está em 11,75% ao ano.

Às 16:39 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 0,90 ponto-base, a 4,0114%.

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