CGU conclui que cartão de vacina de Bolsonaro foi adulterado, mas não aponta culpados

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que houve adulteração no cartão de vacinação do então presidente Jair Bolsonaro, com o objetivo de fazer constar um registro de imunização dele em São Paulo contra o coronavírus em julho de 2021, mas não apontou, ao final das investigações, o envolvimento de qualquer servidor público federal na trama.

Os resultados dos trabalhos da CGU, divulgados em comunicado nesta quinta-feira, serão encaminhados às autoridades do Estado e do município de São Paulo para a adoção de providências cabíveis.

Contactado, o ex-ministro e advogado de Bolsonaro Fabio Wajngarten não respondeu de imediato a pedido de comentário.

A apuração, iniciada a partir de um pedido feito via Lei de Acesso à Informação do cartão de vacinação de Bolsonaro, encontrou um registro de imunização contra Covid do então presidente na Unidade Básica de Saúde (UBS) Parque Peruche, em São Paulo.

No entanto, após a coleta de depoimentos e análise de informações, constatou-se que Bolsonaro não estava em São Paulo no dia indicado no cartão de vacinação e tampouco o lote do imunizante estava disponível para uso.

"Os auditores tomaram, inclusive, o depoimento da enfermeira indicada no cartão de vacinação como aplicadora do imunizante, mas essa negou que tenha feito tal procedimento. E ainda, afirmou que não trabalhava mais na Unidade naquela data, o que foi confirmado por documentos", disse a CGU, em comunicado.

Outros dois registros de vacinação contra Covid no cartão de Bolsonaro teriam ocorrido em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, mas foram cancelados antes do início das investigações do órgão.

As descobertas da CGU sobre as fraudes no cartão culminaram em operação deflagrada pela Polícia Federal em maio de 2023, que prendeu o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

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Naquele mês, a CGU decidiu retirar o sigilo imposto sobre o cartão de vacinação do ex-presidente, mas determinou que sua divulgação só ocorresse após a conclusão de investigação de suposta inserção de dados na carteira de imunizantes.

Em setembro do ano passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes homologou uma delação premiada feita por Mauro Cid com a Polícia Federal e mandou soltá-lo da prisão.

Durante a pandemia de Covid-19, Bolsonaro, em reiteradas declarações, minimizava a importância da imunização, assim como das medidas de distanciamento social. Ele muitas vezes afirmou que não se vacinou contra a doença e não iria fazê-lo.

Também desdenhou da eficácia de vacinas e criou um ambiente de temor a possíveis efeitos colaterais da imunização, chegando, em falas falsas, a associar a vacina ao desenvolvimento de Aids.

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