FMI diz que "pouso suave" global está à vista e eleva projeção de crescimento econômico para 2024

Por Andrea Shalal

WASHINGTON (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional elevou nesta terça-feira sua projeção para o crescimento econômico global, melhorando as perspectivas tanto para os Estados Unidos como para a China - as duas maiores economias do mundo - e citando uma redução da inflação mais rápida do que o esperado.

O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, disse que o relatório Perspectiva Econômica Global atualizado mostra que um "pouso suave" está à vista, mas que o crescimento global e o comércio global ainda permanecem abaixo da média histórica.

"Achamos que a economia global continua a demonstrar uma resiliência notável e estamos agora na descida final em direção a um 'pouso suave', com a inflação diminuindo de forma constante e o crescimento se mantendo", disse Gourinchas. "Mas a base da expansão continua mais lenta e pode haver turbulência à frente."

O FMI afirmou que a melhora das perspectivas foi sustentada por gastos públicos e privados mais fortes, apesar das condições monetárias restritivas, bem como pelo aumento da participação da força de trabalho, cadeias de abastecimento reparadas e preços mais baratos da energia e das matérias-primas.

O FMI prevê um crescimento global de 3,1% em 2024, 0,2 ponto percentual acima da sua previsão de outubro, e disse esperar um crescimento de 3,2% em 2025. A média histórica para o período 2000-2019 foi de 3,8%.

O Fundo projetou um crescimento do comércio global de 3,3% em 2024 e 3,6% em 2025, bem abaixo da média histórica de 4,9%, com os ganhos afetados por cerca de 3.000 restrições comerciais que foram impostas em 2023.

O FMI manteve a sua previsão de outubro de uma inflação global de 5,8% para 2024, mas reduziu a projeção para 2025 para 4,4%, de 4,6% em outubro. Excluindo a Argentina, que registrou um pico de alta de preços, a inflação global seria mais baixa, disse Gourinchas.

As economias avançadas deverão registrar uma inflação média de 2,6%, uma queda 0,4 ponto percentual em relação à previsão de outubro, com a inflação a caminho de atingir as metas dos bancos centrais de 2% em 2025. Em contraste, a inflação média seria de 8,1% nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento em 2024, antes de diminuir para 6% em 2025.

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O FMI disse que os preços médios do petróleo cairão 2,3% em 2024, contra o declínio de 0,7% previsto em outubro, e que os preços deverão cair 4,8% em 2025.

ATAQUES NO MAR VERMELHO

O FMI disse que novos aumentos nos preços das commodities devido a choques geopolíticos, incluindo ataques contínuos ao transporte no Mar Vermelho, poderiam prolongar as condições monetárias restritivas. Gourinchas disse a jornalistas que o FMI está acompanhando os acontecimentos no Oriente Médio, mas o impacto econômico mais amplo permanece "relativamente limitado".

Os Estados Unidos tiveram uma das maiores elevações nas projeções atualizadas do FMI, que prevê agora alta do PIB de 2,1% em 2024, contra 1,5% em outubro. Para 2025 a expectativa é de desaceleração a 1,7%.

Gourinchas atribuiu a melhora ao suporte fiscal e aos gastos fortes do consumidor, mas disse que o FMI informou Washington que temia que alguns dos seus subsídios a produtores nacionais e outras políticas industriais possam violar as regras comerciais globais.

A zona do euro sofreu uma revisão para baixo e a expectativa agora é de crescimento de apenas 0,9% em 2024 e 1,7% em 2025, com a maior economia europeia - a Alemanha - registrando expansão de apenas 0,5% em 2024, contra taxa de 0,9% prevista em outubro.

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O PIB da China deve crescer 4,6% em 2024, uma revisão para cima de 0,4 ponto percentual em relação a outubro, e 4,1% em 2025. Gourinchas disse que o impulso refletiu um apoio fiscal significativo das autoridades e uma desaceleração menos severa do que o esperado decorrente do setor imobiliário.

Ele disse ainda que a expectativa é de que o Federal Reserve, o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra mantenham as taxas de juros ​nos níveis atuais até o segundo semestre de 2024, com um declínio gradual esperado a partir de então.

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