Espanhol Santander vê maior lucratividade em 2024 após 4º tri melhor do que o esperado  

Por Jesús Aguado

MADRI (Reuters) - O banco espanhol Santander está mirando rentabilidade maior este ano, após lucro líquido recorde do quarto trimestre ter superado previsões de analistas em meio ao aumento das receitas com empréstimos na Europa e no Brasil.

O segundo maior banco da zona euro em valor de mercado se apoiou no passado na América Latina para o crescimento das receitas, mas recentemente também se beneficiou de taxas de juro europeias mais elevadas.

O lucro líquido do último trimestre de 2023 aumentou 28% em relação ao ano anterior, para 2,93 bilhões de euros, acima da estimativa média dos analistas de 2,64 bilhões de euros, graças a um aumento de 34% no resultado na Europa.

As provisões aumentaram 13%, para 3,4 bilhões de euros, em linha com as previsões, enquanto o custo do risco, que mede perdas potenciais para o banco, aumentou 5 pontos base (bps), para 118 bps no final de dezembro, abaixo do guidance de 120bps.

Durante todo o ano de 2023, o lucro líquido aumentou 15%, para um recorde de 11,08 bilhões de euros, à medida que as receitas cresceram 10,5%.

O lucro mais elevado ajudou a aumentar o índice de retorno sobre o patrimônio tangível (RoTE), uma medida de lucratividade, para 15,06% no final de 2023, de 13,37% em 2022, atingindo sua meta de final de ano de mais de 15%.

A presidente executiva do conselho de administração do Santander, Ana Botín, disse em comunicado que o modelo de negócios diversificado do banco permitirá à instituição atingir uma meta de RoTE de 16% para 2024. A executiva também espera um aumento percentual de meio dígito nas receitas.

O JP Morgan disse em nota que os resultados “estiveram amplamente em linha com as expectativas, embora o 'guidance' seja melhor”.

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As ações do Santander subiam 1,5% por volta das 7:10 (horário de Brasília).

CRESCIMENTO DE MARGENS NO BRASIL, PERDAS NA ARGENTINA

A margem financeira trimestral (NII) do Santander, ou rendimentos sobre empréstimos menos custos de depósitos, aumentou 9,5% em termos anuais, para 11,12 bilhões de euros, mais do que os 10,93 bilhões de euros esperados pelos analistas, mas o NII caiu 0,9% em relação ao trimestre anterior.

No Brasil, a margem financeira aumentou 12,3% em relação ao mesmo trimestre de 2022 e 7,6% em relação ao terceiro trimestre.

Tal como o seu par BBVA, os resultados do Santander na América do Sul foram atingidos por ajustes de hiperinflação e uma desvalorização do peso na Argentina, onde o banco registrou um prejuízo de 20 milhões de euros.

Na Espanha, o NII cresceu 24% ano a ano, mas caiu 0,2% face ao trimestre anterior. Os investidores estão observando atentamente se o impulso das taxas de juro mais elevadas atingiu o pico, uma vez que os mercados antecipam cortes em 2024.

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Nos Estados Unidos, o lucro líquido caiu 77% em relação ao ano anterior devido a um aumento de cerca de 30% nas provisões e aos custos mais elevados para expandir os negócios naquele país, enquanto no Reino Unido o lucro apurou uma expansão de 17% em relação ao ano anterior, mas o NII caiu 6% devido a custos mais elevados de depósitos.

O Santander também afirmou esperar que o dividendo total em dinheiro por ação para os lucros de 2023 aumente cerca de 50% em relação ao ano anterior.

(Reportagem adicional de Emma Pinedo)

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