Powell diz que Fed pode ser "prudente" ao avaliar cortes nos juros

Por Howard Schneider

WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve pode ser "prudente" ao decidir quando reduzir sua taxa básica de juros, já que uma economia forte permite que as autoridades do banco central dos Estados Unidos tenham tempo para criar confiança de que a inflação continuará caindo, disse o chair do Fed, Jerome Powell, ao programa de notícias da CBS "60 Minutes".

"A atitude prudente a ser tomada é... dar um tempo e verificar se os dados confirmam que a inflação está caindo para 2% de forma sustentável", disse Powell em entrevista que foi ao ar na noite de domingo.

"Queremos abordar essa questão com cuidado", com a força atual da economia mantendo o risco de recessão reduzido enquanto as autoridades aguardam os últimos dados que os convencerão a prosseguir com os cortes nos juros.

A entrevista foi realizada na quinta-feira, antes da divulgação do relatório de empregos de janeiro, na sexta-feira, que mostrou que as empresas criaram 353.000 novos postos de trabalho, com a continuidade do forte crescimento dos salários e uma taxa de desemprego de 3,7%, que praticamente não se moveu em dois anos.

A recuperação sustentada dos Estados Unidos em meio à queda da inflação parece ter colocado o Fed à beira do que Powell chamou de situação "historicamente incomum", embora ele tenha evitado dizer que um "pouso suave" está praticamente garantido.

Na verdade, ele disse que o Fed está observando os riscos para seus mandatos de estabilidade de preços e de pleno emprego, e que vai considerar o enfraquecimento do crescimento do emprego como um possível motivo para acelerar os cortes nos juros.

"Estamos focados na economia real e em fazer a coisa certa para a economia e para o povo americano no médio e longo prazo", disse Powell. "Temos que equilibrar o risco de agir cedo demais... ou tarde demais"

Os chairs do Fed, cobertos atentamente pela imprensa financeira em todo o mundo, ocasionalmente usam aparições em programas populares e amplamente disponíveis, como o "60 Minutes", para sinalizar pontos de inflexão na política monetária ou para destacar acontecimentos importantes. Powell fez isso no início da pandemia para tranquilizar o público de que o banco central sustentaria a economia.

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Agora, a mensagem foi positiva, com queda da inflação, emprego forte e um afrouxamento próximo das condições de crédito - tudo isso sem a "dor" que Powell havia alertado anteriormente que estava reservada para as famílias, conforme o Fed continha o pior surto de inflação dos últimos 40 anos.

"Acreditamos que a economia está em um bom momento. Acreditamos que a inflação está caindo. Só queremos ganhar um pouco mais de confiança de que ela está caindo de forma sustentada em direção à nossa meta de 2%", disse Powell.

A medida de inflação preferida do Fed, o índice PCE, subiu 2,6% em dezembro na base anual, embora em horizontes mais curtos, de três e seis meses, tenha ficado abaixo da meta do Fed.

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