Bradesco perde mais de R$ 25 bilhões em valor de mercado após balanço

O Bradesco chegou a perder mais de R$ 25 bilhões em valor de mercado nesta quarta-feira (7), em meio ao tombo de suas ações gerado pela fraca recepção dos investidores ao resultado do último trimestre do ano passado e às projeções do segundo maior banco privado do país para 2024.

O presidente-executivo, Marcelo Noronha, também apresentou pela manhã o plano estratégico para o período de 2024 a 2028, com uma série de iniciativas que miram principalmente melhorar a rentabilidade. Mas o executivo ponderou que os resultados virão gradualmente, trimestre a trimestre.

"Muitas boas intenções foram apresentadas, mas acreditamos que o mercado aguardará para ver os resultados aparecerem na demonstração de resultados do banco antes de agir", afirmou o analista Thiago Batista, do UBS BB, em relatório. "A falta de números relevantes (no plano) decepcionou um pouco."

Por volta de 15h20, as ações preferenciais do Bradesco desabavam 15,78%, a R$ 13,98, enquanto as ações ordinárias despencavam 13,22%, a R$ 12,60, respondendo com folga pelo pior desempenho do Ibovespa, que cedia 0,65%.

Com tal desempenho, os papéis caminham para a maior queda em um pregão, considerando dados de fechamento, desde 9 de novembro de 2022, quando as PNs terminaram o dia com um declínio de 17,38% e as ONs encerraram o pregão em baixa de 16%.

Na mínima do dia, as PNs caíram 16,45%, a R$ 13,87 e as ONs recuaram 13,91%, a R$ 12,50, equivalente a uma perda de R$ 25,27 bilhões em valor de mercado, para R$ 140,3 bilhões.

Analistas do Citi destacaram em relatório após as apresentações do banco que a administração não discutiu metas específicas para os retornos anualizados sobre o patrimônio líquido médio (ROAEs), embora tenha afirmado que poderá ficar acima do custo de capital em 2026.

"As mudanças parecem positivas e na direção certa, embora qualquer eventual melhoria na rentabilidade pareça provavelmente ser de natureza muito gradual, o que poderá desiludir alguns investidores", afirmaram Rafael Frade e equipe, reiterando a recomendação "neutra/alto risco" para as ações do bancos.

Além da prognóstico para o ROAE 2026, os analistas do Citi e do UBS BB também destacaram entre as sinalizações presentes no plano a expectativa do Bradesco de melhorar o índice de eficiência em oito pontos percentuais nos próximos cinco anos.

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"Nos nossos cálculos, esta melhoria no índice de eficiência levaria a uma expansão de cerca de quatro pontos percentuais na rentabilidade", afirmou Batista, alertando que isso por si só não seria suficiente para trazer o ROAE de volta acima do seu custo de capital próprio.

De outubro a dezembro, o Bradesco teve lucro líquido recorrente de R$ 2,88 bilhões, abaixo do esperado por analistas, segundo projeções compiladas pela LSEG que apontavam para lucro de R$ 4,57 bilhões para o período. Em 2023, o lucro somou R$ 16,3 bilhões, queda de 21,2% ante 2022.

O banco estimou para 2024 alta de 7% a 11% para a carteira de crédito, com expansão de 3% a 7% na margem financeira e aumento de 2% a 6% nas receitas de prestação de serviços e de 5% a 9% nas despesas operacionais. Em provisão para devedores duvidosos, calculam entre R$ 35 bilhões e R$ 39 bilhões.

Analistas do JPMorgan também avaliaram que o banco apresentou um resultado fraco para o quarto trimestre e um guidance decepcionante.

"Nós entendemos que o Bradesco está em um caminho de recuperação, mas o guidance fornecido implica lucro de apenas cerca de 18 bilhões de reais (ponto médio)", afirmaram Yuri Fernandes e equipe do em relatório a clientes, em estimativa similar aos cerca de R$ 17 bilhões do Citi.

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