Taxas futuras de juros fecham perto da estabilidade em dia de alívio com revisão de inflação nos EUA

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - A revisão dos números de inflação nos Estados Unidos, sem surpresas negativas, trouxe um viés negativo para as taxas dos Treasuries e dos DIs na manhã desta sexta-feira, mas o movimento perdeu força no restante da sessão, o que fez os juros futuros fecharem próximos da estabilidade no Brasil, em um dia de liquidez menor antes do período de Carnaval.

Pela manhã o Departamento do Trabalho dos EUA anunciou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) aumentou 0,2% em dezembro, em vez de 0,3%, conforme informado no mês passado, de acordo com as revisões anuais dos dados de inflação. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice de preços ao consumidor avançou 0,3% em dezembro, sem revisão.

A revisão sem maiores surpresas, conforme a analista Laís Costa, da Empiricus Research, retirou uma preocupação que permeava o mercado e que, no limite, poderia estressar a curva de juros.

“A revisão já era esperada, mas potencialmente poderia mudar a variação mensal da inflação, que é o grande tema do mercado hoje. O mercado está tentando definir quando será o corte de juros (pelo Federal Reserve)”, comentou Costa. “Foi importante o Fed tirar este assunto da reta. Já aconteceu de haver revisão para cima, o que não foi o caso”, acrescentou.

Os rendimentos dos Treasuries despencaram nos minutos seguintes à divulgação, ocorrida às 10h30, e o movimento também foi percebido no Brasil, onde as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) registraram as mínimas da sessão. O contrato para janeiro de 2027, por exemplo, chegou a ceder 4 pontos-base.

Passada a reação inicial, as taxas se recuperaram nos EUA e no Brasil, chegando a oscilar no território positivo. Durante a tarde, porém, elas se reaproximaram da estabilidade no Brasil, em um ambiente de liquidez limitada em função da proximidade do período de Carnaval. Muitos participantes do mercado já haviam encerrado as operações na tarde desta sexta-feira.

“O investidor está receoso por conta do Carnaval, evitando se posicionar no mercado de juros. Isso porque os mercados estarão parados no Brasil na segunda e na terça-feira, mas funcionarão nos EUA, inclusive com a divulgação do CPI (de janeiro, na terça-feira)”, comentou Leandro Ormond, analista da Aware Investments.

Perto do fechamento a curva a termo brasileira precificava 92% de chances de o corte da Selic em março ser de 0,50 ponto percentual. Atualmente, a Selic está em 11,25% ao ano.

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No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,005%, ante 10,002% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,765%, igual ao ajuste anterior.

Já a taxa para janeiro de 2027 estava em 9,925%, ante 9,93%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,19%, ante 10,179%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,6%, ante 10,591%.

Às 16:38 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 1,50 ponto-base, a 4,1851%.

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