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Consumo das famílias recua 2,1% no segundo trimestre

28/08/2015 11h37


O consumo das famílias caiu novamente no segundo trimestre, desta vez 2,1% ante o primeiro trimestre, feitos os ajustes sazonais, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No primeiro trimestre, o consumo das famílias já havia recuado 1,5%, ante os três últimos meses do ano passado.

O resultado do intervalo entre abril e junho foi pior que a média de projeções coletadas pelo Valor Data, que na média estimava queda de 1,5% para esse componente do PIB.

Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o consumo das famílias caiu 2,7%.

Economistas entrevistados pelo Valor já previam que o baque sentido pelo mercado de trabalho levaria o consumo das famílias a cair novamente no segundo trimestre. A perda de ritmo da atividade aumentou o desemprego, cenário que, somado à inflação ainda alta e à elevação dos juros, reduziu a capacidade de compras dos brasileiros.

O consumo do governo, por sua vez, cresceu 0,7% no período, sempre em relação aos três meses imediatamente anteriores, feitos os ajustes sazonais, desempenho bem maior que o previsto na média das projeções do Valor Data, que indicava queda de 0,1% para a demanda do setor público na mesma comparação.

Em relação a igual período do ano passado, houve queda nos gastos da administração pública de 1,1%.

No primeiro trimestre, o consumo do governo caiu 1,5%, ante o quarto trimestre do ano passado, dado revisado de queda de 1,3% estimada antes.

Comércio em queda

O comércio registrou a maior queda - 3,3% - dentre os componentes do setor de serviços no PIB, no segundo trimestre deste ano ante o primeiro. Este também foi o pior recuo desde a queda de 7,8% no quarto trimestre de 2008.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a diminuição foi de 7,2%, a pior desde o recuo de 7,5% no primeiro trimestre de 2009.

Na série com ajuste sazonal, foi o terceiro trimestre consecutivo de diminuição do comércio. No último trimestre de 2014, houve recuo de 1%, seguido por uma queda de 3% no primeiro trimestre deste ano.

O aumento da inflação, dos juros, a restrição ao crédito e o aumento do desemprego são apontados como os responsáveis pelo mau desempenho do segmento.

Ainda dentro do setor de serviços, a atividade de transportes, armazenagem e correios teve o segundo pior desempenho, com queda de 2% no segundo trimestre, ante o primeiro, seguida dos serviços de informação (-1,3%), outros serviços (-1%) e intermediação financeira (-0,2%). As atividades imobiliárias e alugueis, com alta de 0,3%, e administração, saúde e educação públicas, com crescimento de 1,9%, foram as exceções positivas.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, houve queda de 6% em transporte, armazenagem e correio; e de 1,9% em outros serviços. As demais atividades registraram aumento: serviços de informação (0,5%), intermediação financeira (0,4%), imobiliárias e alugueis (2,8%) e administração, saúde e educação públicas (0,6%).

Mais despesa com funcionalismo

O aumento em despesas focadas em remuneração de funcionários públicos (salários e benefícios) influenciou a alta de 0,7% no consumo do governo no PIB do segundo trimestre em comparação com o primeiro trimestre. A informação partiu da coordenadora do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Rebeca relembrou que a atividade do governo não é "mercantil", ou seja, não é uma produção vendida, e o instituto mensura a sua evolução por meio da trajetória de gastos. No segundo trimestre, a especialista observou que houve alta de 0,6% na atividade de administração, saúde e educação públicas ante o primeiro trimestre - um dos poucos aumentos observados, nessa comparação, no PIB do segundo trimestre.

Rebeca destacou, no entanto, que dentro desse segmento existem dois aspectos estudados: a remuneração, de salários e de benefícios, do funcionalismo público; e as despesas correntes, como luz, água, serviços de telecomunicações, entre outros. "Mas o gasto com materiais, do governo, está caindo em termos reais", afirmou, sem citar números. "Entretanto, o mesmo não ocorre com a remuneração", acrescentou ela. "Portanto, podemos dizer que o que puxou essa alta [de 0,7%] foi a remuneração", concluiu ela.

Economia