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Para Dilma, primeiras medidas de Temer levam à redução de direitos

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) voltou nesta sexta-feira a criticar as primeiras medidas do presidente interino Michel Temer (PMDB), afirmando que elas têm como marca a redução de direitos e que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), suspenso de seu mandato, exerce clara influência na nova gestão.

Dilma falou na abertura do 5º Congresso Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais, na noite desta sexta-feira, em um hotel de Belo Horizonte. Afirmou que a equipe do presidente interino Michel Temer (PMDB) vai superestimar o "rombo" para justificar uma série de cortes e mudanças.

"Agora eles, para justificar todas as suas políticas, vão começar a dizer que tem um imenso rombo no governo", disse ela.

Para uma plateia entusiasmada que lotou um dos salões do hotel, a petista afirmou que vai tentar reaver seu mandato, tentando convencer senadores e o Judiciário de que não cometeu crimes de responsabilidade. "Eu não vou ficar presa dentro do Alvorada", disse ela.

Essa foi a primeira viagem de Dilma para participar de um ato político desde que foi afastada do cargo, no dia 12, num processo de impeachment ainda em curso no Senado. Quando chegou ao hotel, por volta das 20h, Dilma foi recebida por milhares de pessoas que fecharam uma das vias de uma das principais avenidas de Belo Horizonte, a Afonso Pena.

Ela criticou o fim do Ministério da Cultura, as mudanças na Pasta da Previdência, as promessas de revisão do tamanho do Bolsa Família e também as indicações da nova diretriz de política externa, sob o comando do senador José Serra (PSDB-SP). Disse que a intenção é reduzir "a acordos comerciais" a política de valorização da América Latina, da África e dos Brics.

Dilma citou diversas vezes a palavra golpe ao se referir ao governo Temer. "Uma das consequências do que aconteceu oito dias atrás foi justamente atingir direitos das mulheres, dos negros, da juventude, dos LGBT." Falou em "retrocesso" ao falar das primeiras medidas e criticou o ministério por ser formado apenas por "homens, brancos e ricos".

Num discurso de mais quase 50 minutos, de improviso e que parecia ato de campanha eleitoral, Dilma também ironizou declarações de integrantes da equipe de Temer que tiveram de ser revistas logo depois. "Esse governo está batendo o recorde de desmentidos."

Entre as menções a Eduardo Cunha, a petista afirmou que ele exerce influência "às claras" na gestão Temer. "O governo na verdade tem um grande personagem que atua às claras, que indica ministros, líder de governo, que é o presidente suspenso da Câmara", disse. "Este senhor é responsável pela pauta mais conservadora do Congresso Nacional."

Dilma fez uma referência a suspeitas que pesam contra alguns dos integrantes da equipe de Temer. "Como explicar a quantidade de investigados dentro do governo?", questionou. Mas em seguida procurou relativizar acusações. "Nós temos de olhar para a questão da espetacularização das denúncias, dos escândalos", disse ela. Sem citar as investigações e prisões relacionadas à Operação Lava-Jato que colocam aliados próximos, entre eles o ex-presidente Lula, no alvo, Dilma disse que pessoas inocentes têm tido sua "honra manchada".

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