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Mercado reavalia riscos com Trump; Ibovvespa cai e dólar sobe

O mercado financeiro acordou novamente para o risco que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa para a economia e a cena política global. Assim, as bolsas de valores recuam, nesta quarta-feira, da Ásia às Américas.


Depois de admitir ter repassado à Rússia, em encontro com diplomatas, informações confidenciais sobre a luta contra o Estado Islâmico, o presidente Donald Trump é suspeito de obstrução da Justiça. Segundo reportagem do jornal "The New York Times" ontem à noite, o líder americano pediu a James Comey, antes de forçá-lo, em fevereiro, a renunciar do posto de diretor do Federal Bureau of Investigation (FBI), que deixasse de lado uma investigação sobre o ex-assessor de Segurança Nacional do governo Trump Michael Flynn por conversas indevidas também com os russos.


No Brasil, onde o clima relativamente tranquilo das últimas semanas ajudou a Bovespa a subir 5,28% neste mês, gestores e especialistas voltam a estudar o perigo que o recrudescimento dessa crise pode representar.


"Não se sabe em que medida essa tensão interferiria com a agenda de reformas de Trump, as quais têm animado muio os investidores", disse Vitor Suzaki, analista da corretora Lerosa Investimentos, citando os projetos do governo americano de mudar o sistema tributário e estimular o setor de infraestrutura. "A estratégia de aproximação com a Rússia também pode fomentar animosidades interna e externamente."


O Índice Bovespa recuava 1,40%, para 67.722 pontos, às 13h15.


O aumento das incertezas externas está alimentando um movimento de realização de lucros hoje.


O pior desempenho do Ibovespa era da Embraer, a qual perdia 3,93%, para R$ 15,17.


A JBS tinha o seu segundo dia seguido de baixa após o seu presidente, Wesley Batista, dizer em teleconferência com analistas que a oferta inicial de ações (IPO) da unidade internacional da empresa, a JBS Foods International, pode não sair em 2017. A ação do frigorífico recuava 1,72%, para R$ 9,69.


As construtoras, que ontem tiveram os maiores ganhos da bolsa devido ao aumento de apostas de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve cortar a taxa básica de juros da economia em 1,25 ponto percentual, para 10% ao ano, no atual pregão figuram do lado das perdedoras. O Índice Imobiliário da B3 (ex-BM&FBovespa) caía 1,00%, a maior baixa entre sete grupos setoriais.


Dólar


O dólar interrompe a sequência de seis quedas consecutivas nesta quarta-feira. Diante da cautela com a instabilidade política nos Estados Unidos, os investidores aproveitam para realizar lucros. O avanço da moeda americana por aqui, entretanto, é contido. A divisa segue próxima do nível de R$ 3,10, com poucos momentos acima desse patamar.


Os agentes financeiros vislumbram níveis ainda mais baixos para a moeda americana. A percepção é de que há ambiente favorável para os ativos brasileiros, diante das apostas de intensificação do ritmo de corte da Selic e aumento da confiança na aprovação da reforma da Previdência. O cenário de exportações também é frequentemente citado como fator de queda da moeda.


Por volta das 13h15, o dólar comercial subia 0,16%, cotado a R$ 3,1002, tendo avançado até a máxima de R$ 3,1130.


O contrato futuro para junho, por sua vez, tinha elevação de 0,13%, a R$ 3,1115. No momento mais forte do dia, chegou a R$ 3,1240. Por outro lado, teve leve queda até R$ 3,1070 logo no começo do dia.


A postura mais defensiva no exterior - com busca por ouro e Treasuries - é decorrente da informação de que o presidente do EUA, Donald Trump teria pedido ao diretor demitido do FBI, James Comey, suspensão da investigação sobre as relações do então Assessor de Segurança Nacional, Michael Flyn, com a Rússia.


O caso foi relatado por Comey em memorando feito em fevereiro, pouco depois que Flyn foi afastado do governo. Se confirmado, esse fato indicaria clara obstrução da Justiça por Trump o que, no limite, poderia culminar em um processo de impeachment. A Casa Branca nega a irregularidade.


Na avaliação de estrategista-chefe global de câmbio do banco Brown Brothers Harriman, Marc Chandler, o debate sobre impeachment nos EUA é exagerado. "Nem compartilhar informações com a Rússia nem pedir ao chefe do FBI que considere abandonar uma investigação são atos criminosos, mesmo que sejam de políticas pobres", diz o especialista.


Chandler destaca ainda que, apesar do baixo índice de aprovação do Trump, algumas métricas estão um pouco melhores do que quando ele foi eleito. Além disso, o presidente ainda é bem avaliado na sua base eleitoral e no partido republicano. "No passado, quando outros presidentes começaram a ter problemas, a retirada do apoio de seu próprio partido era crítica", aponta.


A cena política americana deixa os investidores em alerta. Por outro lado, gera dúvidas sobre a capacidade de Trump de avançar com sua agenda econômica, o que nos últimos dias já vinha tirando força do dólar e ajudando as divisas de emergentes. Nesta quarta-feira, o dólar sobe ante o peso mexicano (+0,03%), o rublo russo (+0,54%), o rand sul-africano (+1,18%) e a lira turca (+0,70%). Já os contratos futuros de petróleo operam em alta firme, contribuindo para limitar a desvalorização dos emergentes.


Juros


Os juros futuros voltam a cair no início da tarde desta quarta-feira, principalmente nos vencimentos que refletem as expectativas para política monetária. Investidores e economistas seguem aumentando as apostas de uma corte mais intenso da Selic no próximo encontro do Copom. Nas novas projeções, também é observada redução da taxa esperada para o fim do ciclo de flexibilização.


ODI janeiro de 2019 recuava a 8,750%, ante 8,800% no ajuste anterior, já afastado da máxima no dia, de 8,830%. O ativo era o mais negociado na sessão, movimentando quase um terço dentre todos os contratos de DI. Operadores apontam que o volume elevado também foi decorrente de participação de investidores estrangeiros.


Entre outros vértices intermediários, o DI janeiro de 2018 caía a 8,935%, ante 8,970% no ajuste anterior, e o DI janeiro de 2021 marcava 9,490%, ante 9,510%.


Nos vencimentos mais longos, entretanto, a queda era mais moderada, indicando algum grau de incerteza. O DI janeiro de 2023 caía a 9,860%, ante 9,870% no ajuste anterior, e o DI janeiro de 2025 cedia a 10,020%, ante 10,030% no ajuste anterior.

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