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Dólar opera abaixo de R$ 3,30 após BC injetar US$ 2 bilhões

O dólar volta a operar abaixo de R$ 3,30 nesta sexta-feira. O ajuste, entretanto, fica bem aquém de uma clara recuperação frente à desvalorização cambial da véspera. A cena política continua mantendo os investidores mais cautelosos, o que alimenta a expectativa de volatilidade nos próximos dias.


Contribui para o mercado o início de uma série de ofertas líquidas de swaps cambiais tradicionais até terça-feira, numa espécie de miniprograma oferta de liquidez. Foram vendidos hoje 40 mil novos contratos de swap, equivalentes a US$ 2 bilhões, somando-se assim aos US$ 4 bilhões já oferecidos ontem.


O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, reforçou a disposição da autoridade monetária e do Tesouro Nacional de usar os vários instrumentos que têm à disposição para garantir o bom funcionamento dos mercados em meio às incertezas advindas do campo político. O dirigente comentou que a redução do estoque de swap, ante o volume de anos anteriores, traz mais espaço para atuações do BC. Além disso, as reservas ultrapassam US$ 370 bilhões e são colchão de liquidez em momentos de turbulência.


Por volta das 13h30, o dólar comercial caía 2,97%, a R$ 3,2830, com mínima em R$ 3,2672.


O contrato futuro para junho, por sua vez, recua 2,51%, a R$ 3,2950, após cair até R$ 3,2760.


Alguns profissionais de mercado apontam que o ambiente é um pouco mais ameno após a divulgação das gravações de conversas do presidente Michel Temer. A leitura é de que as falas em si, principalmente em relação ao suposto aval dado para o pagamento do silêncio de Eduardo Cunha, não são tão graves quanto se esperava.


Por outro lado, a recuperação da governabilidade de Temer ainda se mostra desafiadora. Com isso, a agenda de reformas segue em dúvida e os investidores ainda não conseguem traçar um claro plano de negócios.


O cenário mais benigno para o impasse político seria uma refutação rápida e definitiva das acusações contra o presidente Michel Temer, na avaliação do economista-chefe do UBS no Brasil, Tony Volpon. Esse caso "provavelmente traria de volta a estabilidade do mercado", aponta o economista em relatório datado do dia 18.


Volpon ressalta ainda que não está claro que a reforma da Previdência está completamente morta, mesmo se a atual governo estiver comprometido. "Muito do trabalho, de qualquer maneira, cai no colo do próximo governo após eleições em 2018", acrescenta.


Juros


Os juros futuros operam em queda nesta sexta-feira, em meio à movimentação intensa no mercado de renda fixa. O recuo é atribuído principalmente a ajustes técnicos após as taxas permanecerem nos limites diários durante grande parte da sessão de ontem. A incerteza política, entretanto, segue mantendo os investidores cautelosos, ao mesmo tempo em que divide opiniões sobre o futuro da política monetária.


O DI janeiro/2019 caía a 9,990%, ante 10,410% no ajuste anterior. Com mais de 700 mil contratos movimentados, o ativo registra o maior volume negociado em, pelo menos, dois anos. Operadores explicam que há "game represado" para esta sexta-feira, tendo em vista que, ontem, o mercado ficou travado nas máximas diárias.


Entre outros vértices intermediários, o DI janeiro/2018 operava a 9,680%, ante 10,075%, e o DI janeiro/2021, por sua vez, marcava 11,210%, ante 11,390% no ajuste anterior.


O ambiente também é ligeiramente mais ameno nas mesas de operação. A leitura é de que as falas em si, principalmente em relação ao suposto aval para o pagamento do silêncio de Eduardo Cunha, não são tão graves quanto se esperava.


Hoje, o Tesouro Nacional realizou leilões de títulos públicos para manter a liquidez no mercado.


Por outro lado, o economista-chefe na Quantitas, Ivo Chermont, alerta que ainda é há muita incerteza a respeito da governabilidade de Temer e da capacidade de liderar a agenda de reformas. "A queda das taxas é mais um movimento de devolução, do que uma virada de percepção sobre o cenário", aponta.

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