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CNI: Indústria volta a reduzir produção com feriados e crise política

Em meio à nova crise política que atingiu diretamente o presidente Michel Temer e que elevou o grau de incerteza no país, a sondagem divulgada nesta quarta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o setor ainda encontra dificuldades para superar os efeitos da recessão econômica.


O indicador evolução da produção registrou uma queda significativa, de 54,8 em março para 41,6 pontos em abril, um valor abaixo até mesmo do fraco abril de 2016, quando esse índice estava em 42,4 pontos. Valores abaixo de 50 indicam retração na produção.


Segundo a CNI, embora seja comum uma diminuição da atividade entre os meses de março e abril, a queda registrada agora foi mais intensa que o normal. Parte disso pode ser atribuída ao grande número de feriados em abril, que diminuiu o número de dias úteis do mês para 18, ante 23 em março. Houve também um dia de greve geral no mês passado, que paralisou o transporte em importantes capitais, como São Paulo.


Os outros parâmetros medidos pela Sondagem Industrial da CNI também pioraram. O índice de utilização da capacidade instalada (UCI) efetiva em relação ao usual caiu de 41,2 para 36,6 entre março e abril. Em abril do ano passado, estava em 34,7 pontos. Já em termos relativos, a utilização da capacidade instalada da indústria, de 65% para 63% no período.


Enquanto isso, o nível de estoques aumentou.


O indicador de evolução no número de empregados caiu de 47,5 pontos para 47 pontos. Em abril de 2016, estava em 43,3 pontos. O índice de evolução estoques subiu de 49,1 para em 50,9 pontos. O índice de nível de estoque efetivo em relação ao planejado manteve-se próximo à linha divisória de 50 pontos, em 50,4 pontos.


Expectativas em baixa


A pesquisa mostrou ainda que o fraco desempenho da atividade econômica reduziu o otimismo dos empresários. A perspectiva é de mais demissões na indústria. Em maio, o indicador de expectativa sobre o número de empregados caiu de 49,1 pontos para 48,7 pontos e continua abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que separa o otimismo do pessimismo, informou a confederação.


Ainda segundo a entidade, embora estejam acima dos 50 pontos, os indicadores de expectativas para os próximos seis meses recuaram: demanda (-1,4 ponto, para 54,8 pontos), exportações (-0,8 ponto, para 53,2 pontos) e compras de matérias-primas (-1,1 ponto, para 52,6 pontos).


O índice de intenção de investimentos para os próximos seis meses ficou em 46,6 pontos em maio, uma queda de 0,4 ponto na comparação com abril. O indicador varia de zero a cem pontos e quanto maior o índice, maior é a propensão de investir das empresas. "Apesar do aumento de 7,2 pontos na comparação com o ano passado, as intenções de investir seguem baixas", afirma a pesquisa.

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