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Dólar se estabiliza após estouro de crise política e fecha a R$ 3,26

Depois da pausa de ontem, investidores tornaram a vender dólares no mercado brasileiro nesta sexta-feira. A cotação caiu 0,53%, a R$ 3,2652. Ainda assim, a moeda subiu levemente na semana, rondando o patamar de R$ 3,30.


Fluxos de exportadores e para investimentos em carteira voltaram a pressionar a moeda americana, em meio à percepção de que a turbulência política não invalida definitivamente cenários de andamento das reformas econômicas, que por outro lado devem andar a um ritmo mais lento.


Para o Morgan Stanley, os patamares do real sugerem algum "valor" à moeda brasileira. O banco diz que a magnitude do ajuste do câmbio já foi "substancial" e que os fluxos de investimento direto devem continuar, ajudados pelas reformas já aprovadas. "Porém, sem a reforma da Previdência, o Brasil é uma oportunidade menos atrativa. Com incerteza elevada, preferimos ficar neutros", dizem estrategistas do banco em nota.


O dólar chegou a reduzir a queda no meio da tarde, logo após a informação de que Maria Silvia havia pedido demissão do BNDES. A ex-diretora da instituição sempre foi bem avaliada pelo mercado e vinha liderando a redução dos subsídios do banco de fomento, numa mudança de "modus operandi" que "conversava" diretamente com a política monetária, abrindo espaço para o Banco Central seguir cortando os juros.


Apesar da reação inicial do câmbio, analistas de mercado entendem que a condução do BNDES continuará no sentido de reduzir o tamanho do banco, orientação que, para o mercado, tem origem no Ministério da Fazenda, chefiado por Henrique Meirelles.


"Portanto, é pouco provável que o próximo presidente do BNDES mude a diretriz", afirma o profissional. "Ela já vinha sofrendo muita pressão [do setor empresarial]. Mas acredito que o governo seguirá com a política de reduzir crédito subsidiado", diz outro participante do mercado.


Na semana, o dólar ainda subiu 0,30%, o que faz do real a moeda com a quinta performance mais fraca no período. O mercado já opera com volumes semelhantes ao dos pregões que antecederam a explosão da crise política, num sinal de que boa parte do ajuste no câmbio pode ter ficado para trás.


Em maio, o dólar ainda avança 2,84% no mês, o que deixa o real na segunda pior posição de uma lista de 33 pares do dólar. Apenas o peso argentino (-3,9%) cai mais que a moeda brasileira.

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