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Dólar e bolsa operam perto da estabilidade nesta sexta-feira

O dólar ensaia uma queda no início da tarde desta sexta-feira (23), após oscilar sem direção definida nesta manhã.


A falta de convicção para se firmar em baixa contrasta com a desvalorização quase generalizada da divisa americana no exterior. Assim, o câmbio doméstico tem um dos piores desempenhos numa lista de 33 divisas globais, a despeito do avanço moderado dos contratos futuros de petróleo e os consistentes ganhos de moedas emergentes.


O movimento no Brasil indica que a cautela com as incertezas domésticas continuam a pesar sobre a atratividade dos ativos locais.


Para a próxima semana, o mercado aguarda as denúncias da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (PMDB), com base nas delações premiadas de executivos da JBS. O Planalto já vem se preparando para barrar a iniciativa no Congresso e precisa de apenas um terço dos votos de deputados para impedir seu avanço.


Ao todo, são esperadas três denúncias contra Temer, que em tese exigem três votações separadas na Câmara. O alongamento do processo aumenta as incertezas, que já estão elevadas após a derrota da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.


"A dinâmica é mais negativa para os ativos domésticos. A falta de elementos que permitam a inversão da tendência de curto prazo tem feito a bolsa cair e o câmbio se desvalorizar", diz o operador de uma gestora nacional. "Há uma certa aversão ao risco por aqui".


Por volta das 13h36, o dólar comercial recuava 0,17%, cotado a R$ 3,3297, após tocar a mínima de R$ 3,3288 e máxima de R$ 3,3435.O contrato futuro para julho, por sua vez, perdia 0,39%, a R$ 3,3340.


Juros


Os juros futuros operam em viés de alta nesta sexta-feira. O movimento é amparado por ajustes nas taxas de curto prazo após o IPCA-15 de junho ficar ligeiramente acima do esperado. O resultado tem pouco impacto nas apostas do mercado para o processo de flexibilização monetária no Brasil, mas frustra quem esperava uma surpresa mais benéfica do lado dos preços.


O IPCA-15 de junho desacelerou a alta para 0,16%, após ter avançado 0,24% em maio, de acordo com o IBGE. O resultado veio um pouco acima da média de 0,12% estimada pro 25 analistas ouvidos pelo Valor Data, mas foi o mais baixo para o mês desde 2006.


"Frustrou as expectativas de quem esperava um resultado muito abaixo do consenso e, por isso, resultou numa zeragem dessas posições", diz o profissional de uma corretora. "Mas tanto o resultado geral quanto os aspectos qualitativos são muito positivos. Isso indica que a inflação segue seu caminho de queda e deixa a porta aberta para corte de 1 ponto percentual da Selic" no próximo encontro do Copom, acrescenta.


A próxima decisão do colegiado ocorre somente em 26 de julho. A probabilidade da repetição do corte de 1 ponto segue em pouco mais de 30%. Já a chance de uma desaceleração do ritmo com o anúncio de baixa de 0,75 ponto da taxa tinha cerca de 70%.


Antes da reunião do Copom, o mercado deve acompanhar ainda o encontro do Conselho Monetário Nacional (CMN), que pode determinar uma nova meta de inflação. A expectativa é de que o objetivo para 2019 seja alterado para 4,25% ao ano, ante a meta atual de 4,50%. O encontro do CMN ocorre na semana que vem, no dia 29 de junho.


Por volta das 13h, o DI janeiro/2018 sobe a 8,995%, ante 8,975% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 avança a 9,000%, ante 8,980% na mesma base de comparação. Ainda entre os vértices intermediários, o DI janeiro/2021 opera a 10,190%, ante 10,180% no último ajuste.


O DI janeiro/2023 e o DI janeiro/2025 operavam estáveis a 10,660% e a 10,880%, respectivamente.


Bolsa


A bolsa de valores brasileira oscila perto da estabilidade nesta sexta-feira, dividida entre os ganhos das siderúrgicas, que acompanham a alta do minério de ferro, e as preocupações com os frigoríficos,depois de os Estados Unidos barrarem as importações da carne in natura do país, devido a recorrentes preocupações com a sua qualidade.


Neutralizando um pouco o efeito negativo dessa notícia, a Gerdau, a CSN e a Usiminas lideram os ganhos na bolsa depois de o minério de ferro se recuperar da baixa de ontem.


O Ibovespa, principal índice acionário local, subia 0,02%, para 61.287 pontos, às 13h41, já tendo recuado 0,46% na mínima do dia até o momento.


A JBS recuava 1,42% no horário, enquanto o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, viaja aos EUA para tentar reverter a suspensão às importações.


As maiores quedas, no entanto, estavam com as empresas de energia: Eletrobras ON (-3,73%), Eletrobras PNB (-3,15%) e Cemig PN (-2,15%).


A Gerdau PN ganhava 4,27, enquanto a Metalúrgica Gerdau subia 4,20%, a alta na Usiminas era de 3,47% e, na CSN, subia 2,84%. O minério de ferro se valorizou em 0,4% na China, a US$ 56,75 a tonelada.


Os traders esperam que a volatilidade do Ibovespa aumente conforme o encerramento do pregão se aproxima, por conta da perspectiva de recrudescimento da crise política. Temer, que passou a semana em viagem oficial no exterior, vai retornar ao país tendo que se defender de acusações de corrupção por parte da Procuradoria Geral da República (PGR).

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