Crise política impede Ibovespa de seguir alta da commodities

A bolsa de valores brasileira está oscilando perto da estabilidade desde o início do pregão desta terça-feira, refletindo a cautela dos investidores diante da incerteza política.


A forte alta dos preços das commodities não é suficiente, hoje, para neutralizar a preocupação de que a persistente crise institucional vivida pelo país atrapalhe a recuperação da economia.


O Ibovespa, principal índice do mercado local, caia 0,17%, para 62.066 pontos, às 13h20, já tendo caído 0,39% na mínima do dia até o momento e subido 0,38% na máxima.


Os índices de Consumo e Financeiro apresentam as maiores baixas entre sete grupos setoriais, caindo, respectivamente, 0,72% e 0,61%.


As dúvidas acerca dos rumos do governo de Michel Temer (PMDB) se acirraram depois que a Procuradoria Geral da República (PGR) apresentou, ontem, denúncia contra o pemedebista por corrupção passiva, no caso relacionado à delação premiada do empresário da JBS Joesley Batista.


Assim, aumentou a sensação de risco no país, piorando o ânimo dos investidores em um momento em que o ambiente de negócios já está fraco. O Índice de Confiança da Construção subiu 0,2 ponto em junho, mas o do comércio despencou 2,9 pontos neste mês, segundo divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) logo cedo.


A forte alta do petróleo e do minério de ferro no mercado internacional favorece as ações do setor de matérias-primas, entretanto.


A ação preferencial da Petrobras subia 1,22%, para R$ 12,42, e a ordinária avançava 1,15%, para R$ 13,24, enquanto o petróleo tipo Brent avançava 0,70%, para US$ 46,36 o barril, no contrato com vencimento em agosto em Londres.


Depois de o minério de ferro disparar 5,20%, para US$ 59,70 a tonelada, na China, o papel PN da Vale avançava 3,88%, para R$ 26,75, enquanto o ON ganhava 4,26%, para R$ 28,64. Outra boa notícia para a companhia é que os acionistas da mineradora aprovaram, em assembleia geral extraordinária (AGE), a conversão das ações preferenciais em ordinárias, um passo necessário para que a empresa possa ser listada no Novo Mercado, segmento de normas de governança corporativas mais altas da B3.


Dólar


O dólar firma a alta na sessão desta terça e sobe, em ritmo moderado, ao nível de R$ 3,32. O sinal da moeda americana reflete uma postura mais cautelosa entre os agentes financeiros após a denúncia da Procuradoria contra Temer. A incerteza política por aqui se soma à pressão contrária a moedas emergentes, revertendo o sinal favorável vindo exterior nos últimos dias.


O real segue no bloco dos piores desempenho diários da sessão, ao lado dos pares emergentes. Os investidores globais aguardam o pronunciamento da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, no início da tarde. A expectativa é de que a dirigente não deve fugir do discurso de aperto gradual de juros nos Estados Unidos, mas os agentes financeiros acabam preferindo proteção contra possíveis surpresas.


A pressão contrária aos emergentes também veio após o pronunciamento do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. A leitura do mercado é de que o dirigente sinalizou uma postura pouco mais favorável à diminuição de estímulos na zona do euro, ao indicar que a fraqueza inflacionária por lá conta com fatores apenas temporários.


Voltando à cena doméstica, a iniciativa da PGR já era aguardada pelo mercado, mas aumenta a preocupação com a agenda de reformas.


O estrategista de um banco estrangeiro destaca que o alerta não vem apenas da denúncia em si, mas de um desgaste de Temer. Ele aponta, por exemplo, que a defesa de Temer sai um pouco enfraquecida após a PF concluir a análise do áudio da conversa entre o peemedebista e o empresário Joesley Batista. A perícia da PF disse que a gravação não foi adulterada. "O mercado ainda acha que Temer vai continuar na presidência, mas a relação com a população está pior e, com o tempo, isso pode se refletir no apoio parlamentar", diz a fonte.


O dólar comercial avança 0,55%, cotado a R$ 3,3195, tendo oscilado entre a máxima de R$ 3,3280 e a mínima de R$ 3,2980.






Juros


O mercado de renda fixa adota uma postura mais defensiva nesta terça-feira. Os juros futuros operam em alta firme enquanto aumenta a percepção de risco entre os agentes financeiros. A denúncia da Procuradoria contra Temer alimenta as preocupações com o futuro da agenda de reformas, embora a ofensiva da PGR já fosse amplamente aguardada.


O receio entre os agentes financeiros é de que a queda de braço entre a procuradoria e o Planalto possa postergar ainda mais a tramitação das reformas, principalmente a da Previdência. Com a proximidade do ano eleitoral de 2018, há o temor de que a janela de oportunidade para avançar com as medidas impopulares de ajuste fiscal se fechará gradualmente. E com isso, o risco é de uma desidratação mais acentuada do conteúdo das propostas.


ODI janeiro/2023 sobe a 10,820%, ante 10,640% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2025 ganha a 11,050%, ante 10,860% na mesma base de comparação.

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