Juro futuro cai, com investidor de olho em inflação e trégua política

Os juros futuros começaram a semana em queda, ainda na esteira da ideia de que o recente noticiário permitirá ao Banco Central não só continuar a reduzir a Selic como eventualmente estender o ciclo e levar a taxa básica a patamares mais baixos.


O fim de semana não trouxe notícias muito negativas contra o governo, o que amparou um começo de semana mais tranquilo. Mesmo o risco de delação do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) hoje afetou menos os mercados, em meio a informações de que o conteúdo das denúncias que afetaria o presidente Michel Temer (PMDB) teria desanimado o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.


Sem grandes condutores do lado político, investidores voltaram a observar dados que reforçaram apostas de corte de juros. O IGP-10 acelerou a deflação para 0,84% em julho, de -0,62% em junho. E mesmo ganhando força, o IPS-S manteve-se em terreno negativo, com taxa de -0,05% na segunda quadrissemana de julho. Os dados foram divulgados antes do IPCA-15 de julho, que deverá trazer nova deflação.


A visão do mercado de que a inflação e os juros deverão ficar mais baixos foi explicitada nesta segunda-feira na pesquisa Focus do Banco Central. Pela sétima semana consecutiva, o mercado cortou a estimativa para o IPCA 2017, para 3,29%, de 3,38% na semana anterior. O prognóstico para 2018 caiu de 4,24% para 4,20% - sexta semana consecutiva de queda. Com isso, o mercado passou a apostar, pela mediana das previsões, em Selic de 8% neste ano (8,25% na semana anterior), taxa que se estenderá a 2018.


"O mercado ainda está digerindo os acontecimentos da semana passada. E, sem notícias ruins para o governo, o caminho dos juros é de baixa", diz o profissional de uma gestora.O mercado já consolida aposta de corte de 1 ponto percentual da Selic neste mês.


"O juro longo se torna atrativo por esse cenário de inflação baixa e crescimento fraco, que leva a uma Selic também menor", afirma Patah. A UBS Wealth Management espera que a Selic atinja 8% neste ano e se mantenha nesse patamar até o fim de 2018.


A inclinação entre os DIs janeiro/2019 e janeiro/2018 - uma medida dasapostas do mercado para a evolução da política monetária ao longo de 2018 - caiu hoje a -10 pontos-base, nível mais baixo desde 17 de maio (-15 pontos), última sessão antes da delação da JBS.


Embora menores, os prêmios de risco seguem elevados, reforçando a percepção de que as taxas têm "gordura" para queimar. A inclinação entre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019, por exemplo, caiu hoje a 155 pontos-base (158 pontos na sexta-feira). É o menor patamar desde os 149 pontos-base de 20 de junho. Mas ainda estão bem mais altas que os 100 pontos-base marcados antes da delação da JBS, em maio.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2023 caía a 10,110% (10,170% no último ajuste). O DI janeiro/2021 cedia a 9,630% (9,700% no ajuste anterior).


Na ponta curta, o DI janeiro/2019 marcava 8,560% (8,600% no último ajuste). E o DI janeiro/2018 tinha taxa de 8,660% (8,670% no ajuste anterior).

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