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Dólar opera a R$ 3,13 e se aproxima de patamar pré-crise; Ibovespa cai

O dólar está cada vez mais próximo dos níveis anteriores ao estouro da crise política, em meados de maio. Nesta quinta-feira, a divisa americana testa o patamar de R$ 3,13, ainda se beneficiando do ambiente relativamente favorável no exterior e a trégua do conturbado ambiente político no Brasil.


Lá fora, o discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, foi acompanhado de perto pelos agentes financeiros. O dirigente afirmou que as discussões sobre potenciais mudanças no programa de estímulo podem começar no outono do hemisfério norte, isto é, mais para frente neste segundo semestre. Por outro lado, ele destacou que a inflação ainda não está onde o BCE deseja.


O pronunciamento ocorreu após a instituição manter os parâmetros da política monetária sem alterações. As falas eram aguardadas com ansiedade tendo em vista que, recentemente, a postura de Draghi fora vista como mais favorável à retirada de estímulos. Desta vez, o discurso de Draghi dividiu opiniões sendo que alguns profissionais o viram preparando terreno para um futuro processo de aperto monetário, enquanto outros o analisaram com tom voltado para manutenção da política acomodatícia.


No fim da manhã, o dólar acentuou as perdas ante boa parte das divisas globais. O plano de fundo do movimento conta com a informação de que o supervisor especial do FBI, Robert Mueller, está investigando uma série de transações financeiras que envolvem as empresas do presidente dos EUA, Donald Trump, e de seus assessores próximos. A novidade aumenta as incertezas sobre a governabilidade do republicano, afetando também as leituras sobre o avanço da agenda econômica.


Por aqui, o dólar comercial tocou a mínima de R$ 3,1351, nível mais baixo desde 17 de maio. Na ocasião, a divisa tocou o nível de R$ 3,0960 durante a sessão e fechou em R$ 3,1313.


Por volta das 13h15, a divisa recuava 0,41%, a R$ 3,1361. Se o sinal for mantido até o fechamento, será a 10ª queda consecutiva, acumulando perda de cerca de 5% no período até a mínima de hoje.


O dólar futuro para agosto, por sua vez, caía 0,43%, a R$ 3,1425, com mínima em R$ 3,1410.


Bolsa


A reversão da tendência de alta do petróleo no final da manhã de hoje empurra para baixo a bolsa brasileira, que acompanha, assim, a piora do cenário externo.


O Ibovespa, referência do mercado local, recuava 0,18%, para 65.066 pontos, às 13h15. No início do pregão, o índice chegou a subir 0,50% após a confirmação, pelo Banco Central Europeu (BCE), da esperada manutenção da sua taxa de juros de referência em zero. O presidente da instituição, Mario Draghi, reforçou a percepção de que a liquidez vai continuar elevada no mundo ao dizer que ainda não chegou o momento adequado para se discutir a redução dos estímulos monetários na região. Mercados de maior risco, como o Brasil, têm sido beneficiados pelos fluxos de recursos globais.


A ação preferencial da Petrobras, que começou o dia em elevação, há pouco perdia 0,83%, a R$ 13,12, e a ordinária caía 1,23%, para R$ 13,67. O petróleo tipo Brent recuava 0,44%, a US$ 49,48 o barril com entrega em setembro, na bolsa de Londres.


A Vale também contribui para as perdas do Índice Bovespa, seguindo a baixa do minério de ferro. A ação PNA da mineradora despencava 3,18%, para R$ 27,12, e a ON perdia 3,51%, a R$ 28,85. O metal fechou em baixa de 3,1%, a US$ 68,05 a tonelada, na China, depois de duas sessões consecutivas de elevação.


O Carrefour, que estreou hoje na bolsa local, diminuiu um pouco o ritmo de queda ao final da primeira etapa do expediente: recuava 0,40%, para R$ 14,94; na mínima do dia, chegou a cair 4,27%.


Entre as altas, destaca-se a Cyrela. Tendo informado que as suas vendas líquidas cresceram 35,4% no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2016, para R$ 756 milhões, a construtora lidera os ganhos no Ibovespa, subindo 2,80%, a R$ 11,76. O Índice Imobiliário da B3, que reúne as empresas do setor avançava 0,57%, na maior elevação entre sete grupos setoriais, com o fortalecimento das apostas na redução dos juros no Brasil após mais um indicador de inflação evidenciar a queda dos preços. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo do período de 30 dias até 15 de julho (IPCA-15) registrou a primeira deflação para essa medida em quase sete anos, recuando 0,18%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Juros


O mercado de renda fixa volta a calibrar apostas para a trajetória da taxa básica de juros, a Selic. Faltando menos de uma semana para a próxima decisão do Copom, os agentes financeiros trabalham com novos sinais de que o ambiente de inflação é benéfico para uma extensão do ciclo de flexibilização monetária. Assim como vai se consolidando a expectativa de corte de 1 ponto percentual da Selic agora em julho, também são ajustadas as projeções para a taxa terminal.


ODI janeiro/2018 cai a 8,550%, ante 8,600% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 recua a 8,370%, ante 8,420% no ajuste anterior.


Já o DI janeiro/2021 recua a 9,470%, de 9,480% no ajuste anterior, contando também com alguma pressão de baixa vinda do câmbio. O dólar comercial caía 0,33%, a R$ 3,1386, no começo da tarde.

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