CNI: Produção cai em junho, com retração no emprego e maior ociosidade

A produção e o emprego na indústria brasileira voltaram a cair em junho, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), enquanto o nível de ociosidade das fábricas aumentou ligeiramente. Apesar da queda nos indicadores correntes, a entidade avalia que os índices de expectativa seguem apontando para um cenário de recuperação do setor.


O indicador de evolução da produção caiu para 47,7 pontos no sexto mês de 2017, contra 53,8 pontos em maio. Para este quesito, números abaixo de 50 pontos evidenciam retração na produção. Já o indicador do número de empregados foi a 47,6 pontos em junho, queda de 0,5 ponto ante o mês anterior. Abaixo dos 50 pontos o número indica queda no emprego.


Segundo os dados da CNI, a utilização da capacidade instalada recuou para 65%, ante 66% em maio, e está 3 pontos percentuais abaixo da média histórica de 68% registrada desde 2011 para os meses de junho.


O estoque efetivo ante o planejado subiu para 50,9 pontos em junho, após ficar em 49,8 pontos em maio. O índice de intenção de investimento, por sua vez, se situou em 46,6 pontos, ante 46,5 pontos um mês antes. O indicador varia de zero a 100 pontos. Quanto menor o índice, menor é a propensão para o investimento. "Com a elevada ociosidade no parque industrial, a disposição para investir continua baixa", avalia a confederação em nota.


Para a CNI, as perspectivas dos empresários são positivas e indicam uma melhora do cenário no curto prazo. Os indicadores de expectativas mostram que a indústria espera o aumento da demanda, das exportações e da compra de matérias-primas nos próximos seis meses. Mas o indicador de expectativa em relação ao número de empregados continua em 48,8 pontos, abaixo da linha divisória de 50 pontos. Ou seja, mesmo com a perspectiva de recuperação, a indústria deve manter as demissões nos próximos seis meses.


"A combinação dos resultados efetivos dos últimos meses com os de expectativa sugere que a indústria caminha em direção à recuperação, mas que essa trajetória é de dificuldades, com volatilidade nos dados mensais e lentidão no processo de retomada do crescimento", avalia a CNI.


A pesquisa da CNI destaca que os principais problemas enfrentados pela indústria no segundo trimestre reforçam o quadro de lenta recuperação da atividade. "A falta de demanda e a inadimplência dos clientes continuam se destacando entre os principais problemas apontados pelos empresários", diz o estudo.


A elevada carga tributária, com 45,2% das menções, lidera o ranking dos principais obstáculos à atividade industrial no segundo trimestre. Em seguida, com 39% das respostas, aparece a demanda interna insuficiente. Em terceiro lugar, com 21,9% das assinalações, vem a inadimplência dos clientes, seguida pelas taxas de juros elevadas (21,8% das respostas) e pela falta de capital de giro (18,9% das menções).


De acordo com a Sondagem Industrial, os indicadores de condições financeiras das empresas melhoraram um pouco no segundo trimestre, mas seguem abaixo da linha divisória dos 50 pontos e apontam um quadro adverso. O índice de satisfação com a situação financeira ficou em 44 pontos, valor 4,5 pontos superior ao do segundo trimestre de 2016. O índice de satisfação com o lucro operacional subiu 3,8 pontos em relação ao mesmo trimestre do ano passado e ficou em 38,7 pontos.


As condições de acesso ao crédito também estão melhorando lentamente, mas continuam mais difícil que o usual. O indicador de facilidade de acesso ao crédito está em 34,1 pontos, valor 5,1 pontos acima do registrado no segundo trimestre do ano passado. Mesmo assim, está abaixo da linha divisória de 50 pontos, o que revela dificuldade de acesso ao crédito.

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