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Dólar tem maior queda para julho da série histórica

Quem apostou na queda do dólar chegou ao fim de julho sem motivos para arrependimento, com exceção de um: não ter alocado mais recursos nesta opção. A moeda americana fecha o mês com queda de quase 6%, a maior em 13 meses e a mais forte para meses de julho desde pelo menos 1999, ano da mudança de regime cambial.


O dólar terminou a sessão desta segunda-feira em desvalorização de 0,51%, a R$ 3,1182. É o menor patamar desde 16 de maio, quando a cotação estava em R$ 3,0954. Ou seja, o dólar voltou a zerar toda a alta acumulada desde o estouro da crise política, na noite do dia 17 de maio.


Em julho, a queda foi de 5,92%. Isso deixa o real no posto de moeda com melhor desempenho entre 33 pares da divisa americana. No ano, o dólar recua 4,07%.


A combinação entre algum arrefecimento nas tensões políticas locais e melhora significativa na demanda por risco no ambiente global foi a responsável pela firme queda do dólar em julho. Analistas destacam especialmente o cenário externo, marcado pela intensificação da queda da moeda e pela valorização de títulos de dívida, na esteira de sinalizações mais "dovish" da parte do Federal Reserve (Fed, BC americano).


O exterior positivo beneficiou o câmbio emergente como um todo. As moedas desse grupo operam nas máximas desde maio de 2015, a caminho de fecharem o oitavo mês consecutivo de alta, segundo índice do Deutsche Bank. Ao mesmo tempo, uma medida da percepção de risco (volatilidade implícita) para divisas emergentes segue próxima de mínimas desde setembro de 2014, de acordo com o Barclays.


A expectativa de fluxo tem tido peso relevante na formação do preço do câmbio. Reportagem da jornalista Chrystiane Silva, do Valor, indica que investidores estrangeiros têm elevado participação em ofertas de ações já ocorridas neste ano. Neste ano, 13 empresas decidiram captar recursos no mercado de capitais, num total de R$ 24,09 bilhões. A estimativa de profissionais envolvidos nas transações é que os estrangeiros tenham comprado, na média, entre 50% e 60% dos papéis ofertados. Há previsões de que o volume total a ser detido por investidores internacionais chegue a R$ 20 bilhões neste ano.


A queda do dólar para patamares pré-delação da JBS, porém, não equivale a dizer que o prêmio de risco foi zerado. Isso porque vários profissionais no mercado entendem que a taxa de câmbio estaria abaixo de R$ 3,00 por dólar sem o "evento Joesley".


E algumas instituições veem chances de o dólar retomar fôlego no Brasil ao longo de agosto. Estrategistas do Morgan Stanley, por exemplo, chamam mais atenção para fatores idiossincráticos como riscos maiores ao real e seguem com recomendação "neutra" na taxa de câmbio brasileira. O Morgan projeta que o dólar subirá para R$ 3,35 até o fim do ano e alcance R$ 3,55 ao término de 2018.


Da mesma forma, o Nomura entende que o real pode voltar a perder terreno em agosto, à medida que ficarem mais evidentes a fragilidade fiscal do Brasil e a perspectiva ruidosa para a aprovação da reforma da Previdência. O banco japonês espera dólar de R$ 3,40 até o fim do ano. Essa é a mesma taxa estimada pelo Bank of America Merrill Lynch.

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