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Ajuste no exterior abre espaço para leve queda de juros futuros

O mercado de juros futuros encontrou justificativas no fim da tarde desta quinta-feira para aliviar parte da pressão taxas mais longos. A trajetória de alta no dólar e nas taxas americanas tomou uma pausa para ajustes, em meio à reavaliação do cenário econômico dos Estados Unidos, abrindo caminho para redução - mesmo que marginal - do prêmio nas apostas internas.


O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 - que reflete a percepção de riscos mais estruturais - terminou a sessão regular perto das mínimas do dia, a 8,830%. O valor ainda é bem próximo do ajuste de ontem, de 8,840%, mas com alguma distância para a máxima da sessão, de 8,900%.


A pressão menor fica mais clara nos trechos mais estendidos. O DI janeiro de 2023 caía a 9,530% (9,560% no ajuste anterior) e o DI janeiro de 2025 recuava a 9,880% (9,950% no ajuste anterior). Já o dólar comercial marcava R$ 3,1819, em baixa de 0,37% às 16h.


O DI janeiro/2018 ia a 7,520% (7,530% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 cedia a 7,290 % (7,320% no ajuste anterior).


Lá fora, foi observado um respiro na crescente aposta - refletida no dólar e nos juros dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) - de um crescimento mais robusto dos EUA e de novo aperto monetário em 2017. Os agentes financeiros seguem atentos aos sinais da economia por lá. Hoje, por exemplo, a revisão dos dados do PIB americano apontou para crescimento de 3,1% no segundo trimestre, ainda bem próximo da primeira leitura de 3%. E nesta sexta-feira, serão conhecidos dados de renda pessoal e gastos, que servem de referência para avaliar o cenário de inflação.


Por aqui, ainda há cautela com a política. No fim da tarde, entretanto, foram divulgados dados fiscais menos negativos que o esperado. O governo central - que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central - registrou déficit primário de R$ 9,599 bilhões em agosto, abaixo do rombo de R$ 16,35 bilhões estimado por especialistas ouvidos pelo Valor Data.


Ainda assim, a diferença para as taxas mais curtas, que serve de termômetro de risco, continua perto das máximas históricas. Na comparação entre os contratos de 2021 e 2019, por exemplo, essa inclinação subiu ligeiramente hoje, a 1,54 ponto percentual. Já considerando o trecho de 2023 e 2019, houve leve ajuste para 2,24 pontos, ante 2,25 pontos no fechamento da véspera.


"A inclinação da curva traduz a falta de reformas mais estruturais, principalmente a da Previdência", diz o operador Matheus Gallina, da Quantitas. A perspectiva de prazo segue positiva, com recuperação de confiança e a inflação em baixa. "Mas para se sustentar a estabilidade de longo prazo, as reformas são necessárias", acrescenta.


Por ora, a leitura no mercado é que as novas denúncias da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Michel Temer (PMDB) não devem prosperar na Câmara. Por outro lado, ouve-se de gestores e operadores uma desconfiança maior com a aprovação da reforma previdenciária ainda na administração atual. Por mais que o avanço da medida não esteja claramente embutida nos preços, a contínua postergação inibe movimentos mais positivos nos mercados.


Sendo assim, há alguma cautela em torno do reforço de posições vendidas. Ainda que o mercado não tenha nos preços qualquer reforma da Previdência, agentes esperam por avanços em medidas microeconômicas e por mais notícias que corroborem a visão crescente de que a melhora do ambiente econômico dê força a um candidato reformista em 2018.

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