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Juros de longo prazo têm maior alta semanal em dois meses

09/02/2018 18h20

O mercado local de juros não passou incólume à onda de volatilidade que tomou conta dos mercados de ações globais nesta semana - e que já dá sinais de extensão às commodities.

Os juros longos - mais sensíveis ao cenário externo e à desvalorização cambial - subiram entre 14 pontos-base e 17 pontos-base nesta semana. As altas são as mais intensas desde a semana finda em 15 de dezembro do ano passado.

O spread entre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019 - uma medida de risco - avançou 19 pontos-base, elevação mais forte desde os 21 pontos-base de alta da semana também encerrada em 15 de dezembro.

Somente entre a quinta (8) e estasexta-feira (9), a inclinação saltou 13 pontos-base, para 298,5 pontos-base, na máxima desde o último dia 4 de janeiro (299,5 pontos-base).

A grande dúvida dos investidores é se a turbulência global, que mostrou as caras na sexta-feira passada (2) com a divulgação dos dados de emprego dos Estados Unidos- o chamado "payroll" -, e se intensificou nesta semana, pode se estender por mais tempo.

Por ora, analistas ainda defendem que se trata de uma correção saudável. Mas começam a ganhar coro avaliações de que questões macro podem ser motivo para um ajuste significativo na dinâmica dos preços dos ativos financeiros globais a partir de agora.

O aumento da inclinação da curva local de juros contrariou a expectativa de redução dos prêmios de risco, alimentada pela sinalização do Banco Central de fim do ciclo de afrouxamento monetário. A diferença entre juros longos e curtos se ampliou também porque as taxas de curto prazo recuaram, com investidores se apegando ao IPCA de janeiro mais baixo para reforçar apostas de declínio da Selic em março, apesar da indicação clara do BC de que concluiu o processo de alívio monetário.

Na próxima semana - mais curta devido ao feriado de Carnaval -, o grande destaque da pauta macro é a ata do Copom. Para o UBS, a porta para novos cortes "não está fechada", mas a "crescente" volatilidade externa, "gradual" recuperação da economia e "ainda fortes" preços das commodities tendem a puxar "lentamente" índices de inflação para valores "normais". "Tudo isso em consideração, prevemos Selic estável de 6,75% até o fim do ano", diz a casa em nota.

O Haitong prevê que o Copom deva detalhar na ata as possibilidades de novo corte. Os fatores a amparar mais afrouxamento monetário seriam melhora do cenário externo, frustração com a retomada econômica e aprovação de reformas pelo Congresso Nacional.

"Honestamente, todos esses pontos parecem bem improváveis [de ocorrer] em um período tão curto de tempo. E isso significa que a Selic deve ficar em 6,75% em março."

Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 caía a 6,725% ao ano (6,74% no ajuste anterior), oDI janeiro/2020 indicava 7,980% (7,97% no ajuste anterior), oDI janeiro/2021 subia a 8,900% (8,85% no ajuste anterior) eo DI janeiro/2023 ia a 9,710% (9,59% no ajuste anterior).

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