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Ibovespa renova recorde de olho em NY; dólar oscila

A bolsa retomou a trajetória de alta, sustentada pelo exterior mas também refletindo boas notícias locais. O destaque foi mais uma vez Eletrobras, que renovou marcas históricas sob efeito da decisão do governo de colocar a privatização da companhia como pauta prioritária. Tema que contribui para melhorar o humor com o mercado de ações de forma geral.


Às 13h39, o Ibovespa subia 0,80% para 86.493 pontos. Na máxima, tocou os 86.723 pontos, renovando assim mais uma vez sua máxima histórica, alcançada ontem quando o índice chegou a valer 86.290 pontos. O tom positivo, entretanto, será colocado à prova pela divulgação da ata do Fed, às 16 horas. O documento pode levar o mercado a afinar apostas sobre o rumo dos juros americanos e, portanto, influenciar o comportamento dos preços dos ativos globalmente.


O volume de negócios ficou concentrado entre as empresas de maior liquidez, num comportamento que confirma que investidores seguem ampliando exposição à bolsa brasileira de forma geral. Petrobras PN, Vale ON, Bradesco ON e Itaú PN movimentavam, juntas, R$ 1,5 bilhão, sendo que o giro total do Ibovespa era de R$ 4,2 bilhões.


As maiores altas, no entanto, eram as ações de Eletrobras. O papel PNB ganhava 6,48%, para R$ 28,75, mas chegou a operar a R$ 28,90, máxima intradia histórica. O movimento acontece na esteira do entusiasmo do mercado com a privatização da companhia, que foi intensificado quando o relator do projeto, José Carlos Aleluia, disse que prevê a aprovação do relatório até a primeira quinzena de abril.


A ação ON também chegou muito perto de seu recorde intraday, de R$ 24,49, atingido em 26 de outubro de 2017. Hoje, a ação chegou a ser negociada a R$ 24,39. E, há instantes, valia R$ 24,23 (+5,90%).


A decisão do governo de suspender o projeto de reforma da Previdência e colocar em pauta um conjunto e medidas, que inclui a privatização da Eletrobras, reforçou a confiança dos investidores no avanço desse projeto. E isso gerou uma onda forte de compras, que se traduz no forte volume de negócios com essas ações. Até o momento, o giro co o papel PNB somava R$ 70 milhões, ante R$ 122,5 milhões movimentados em todo o pregão de ontem. Já o papel ON tem volume de R$ 69 milhões, ante R$ 114 milhões ontem.


Mas esse entusiasmo é visto com ceticismo por alguns profissionais de mercado. Como a empresa hoje sofre forte ingerência política, a resistência de diferentes setores políticos à desestatização da companhia deve ser elevada. Além disso, há muitas incertezas sobre o endividamento das distribuidoras que a holding vai assumir, fator que também pode atrapalhar o processo.


Na ponta negativa, estão papéis que mostraram desempenho muito forte na sessão de ontem e, hoje, se ajustam. É o caso de Fibria (-3,09%), Magazine Luiza (-3,02%) e Suzano (-2,32%).


Dólar


O dólar oscila em torno da estabilidade ante o real nesta quarta-feira, o que deixa a moeda brasileira para trás em relação a vários de seus pares emergentes. Divisas como rand sul-africano, lira turca e peso mexicano se valorizam horas antes da divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, BC americano).


O desempenho relativo mais fraco do real ocorre um dia depois das duras declarações feitas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao Palácio do Planalto, que havia anunciado horas antes pacote de 15 medidas microeconômicas a serem votadas pelo Congresso. "Nem li, nem vou ler", disse o chefe da Câmara a respeito da lista de projetos. Maia e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE) defenderam que não é o governo que pauta o Congresso.


Embora não haja grande expectativa por aprovação da maioria das medidas do pacote e com o mercado já trabalhando com a reforma da Previdência apenas no próximo governo, a estremecida nas relações entre Congresso e Planalto não é bem-vista. Vale lembrar que, mesmo antes de a reforma da Previdência ser suspensa, o governo já não contava com votos suficientes na Câmara dos Deputados para aprovar a proposta, num sinal de menor capacidade de articulação com o Legislativo.


"Mesmo que o assunto agora seja eleição, o mercado nunca reage bem a um embate público dessa natureza. É ruim para qualquer proposta de reforma", diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.


Às 13h39, o dólar comercial tinha variação positiva de 0,08%, a R$ 3,2579. A título de comparação, a moeda americana cedia 0,3% ante o peso mexicano e a lira turca e 0,7% contra o rand sul-africano.


À tarde, as atenções do mercado se voltam para ata do Fed. O documento vai detalhar as discussões da última reunião de política monetária comandada pela ex-presidente do BC americano Janet Yellen.


"Está claro que o comunicado do Fed [divulgado após a reunião] indicou que o BC pode elevar os juros 'mais' neste ano. Muitos suspeitam que as próximas projeções vão antecipar quatro altas de juros em vez de três", dizem estrategistas do Brown Brothers Harriman em nota a clientes.


Juros


O comportamento dos juros futuros na sessão desta quarta-feira reflete a cautela dos investidores à espera de novos sinais sobre o aperto monetário nos Estados Unidos. As taxas operam bem próximas da estabilidade, oscilando pouco ao longo da sessão. E a não ser que Federal Reserve indique um ritmo muito mais duro de elevação de juros, a expectativa é de que os ativos ainda mostrem alguma resiliência e mantenham as atenções nos fundamentos econômicos.


A taxa projetada pelo DI janeiro/2021 é de 8,580%, praticamente estável ante o nível de 8,570% no ajuste anterior. O movimento fica em linha com o do dólar, que sobe apenas 0,06%, a R$ 3,2574.

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