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Nova York ajuda Ibovespa a se recuperar; dólar cai, mas ronda R$ 3,40

O desempenho positivo das bolsas americanas ajudou o Ibovespa a se recuperar nesta terça-feira. Mas o movimento ainda não foi capaz de colocar o índice de volta aos 84 mil pontos. E, na visão dos profissionais, não sugere qualquer alteração na dinâmica ainda fraca do mercado. As preocupações com as eleições e com

.a atividade fraca seguem travando as compras e devem manter o Ibovespa ao redor do nível atual nas próximas semanas.

Às 13h30, o Ibovespa subia 1,10%, para 83.770 pontos. Nesse horário, as bolsas de Nova York também ampliavam os ganhos e mostravam valorização superior a 1%.

O volume de negócios, no entanto, segue restrito. Até o momento, foram negociados R$ 2,8 bilhões, abaixo do giro observado nesse horário nas últimas sessões.

"O mercado está colocando o pé no freio, assim como muitas empresas, porque ninguém sabe o que vai acontecer", define um gestor de um fundo paulista. A pesquisa eleitoral realizada pelo Datafolha, divulgada no domingo, mostra um quadro bastante aberto, com todos os candidatos com menos de 20% das intenções de voto. "Faltando seis meses para a eleição e com um desafio enorme e urgente para a economia do país, é uma situação muito preocupante."

Para esse profissional, o quadro de atividade fraca reforça esse clima de cautela. Primeiramente, porque leva os investidores a reavaliarem suas posições em bolsa. "Começa a crescer a visão de que os balanços deste primeiro trimestre não virão tão bem como o que se esperava", diz o profissional.

Mas há também a preocupação com o impacto que esse ritmo mais lento da atividade pode provocar sobre a eleição. Afinal, havia uma "aposta" de que o candidato reformista, que represente a continuidade da política econômica deste governo, se beneficiaria da retomada da atividade, o que está acontecendo de forma mais lenta ainda. E, agora, o que começa a entrar na pauta é um agravamento desse quadro. "Com tanta incerteza política, quem vai consumir, quem vai investir?", observa o especialista. "Isso vai reforçar a paradeira."

Nesse movimento de recuperação, as ações de energia são destaque. Copel PNB lidera os ganhos e tem alta de 3,67%. A companhia fez hoje teleconferência com analistas e informou que o programa de redução de custos já alcançou R$ 350 milhões em seis meses. E informou ainda que o plano de demissão voluntária da empresa teve adesão de 600 pessoas.

Já Cemig PN tem alta de 2,40%. A empresa informou que vai investir R$ 40 milhões em dois projetos de armazenamento de energia elétrica nos próximos quatro anos.

Empresas de siderurgia também estão entre as principais altas do dia. Usiminas PNA sobe 3,49%, enquanto Gerdau Metalúrgica avança 2,76% e a Vale ON ganha 2,58%.

Dólar

O mercado de câmbio brasileiro captura nesta terça-feira o dia positivo nas praças financeiras globais. Depois de superar a marca de R$ 3,42 pela manhã, o dólar volta a R$ 3,40, replicando a queda verificada ante outras divisas emergentes.

Na mínima do pregão de hoje, o dólar desceu a R$ 3,3959 (-0,45%) na mínima do dia. Mas às 13h30 era cotada a R$ 3,4027, em baixa de 0,26%.

No mercado futuro, o dólar para maio tinha queda de 0,50%, a R$ 3.4065.

No mesmo horário, a divisa americana perdia 0,24% ante o peso mexicano, 0,52% contra o rand sul-africano e 0,25% frente ao won sul-coreano.

Balanços fortes nos EUA sustentam a demanda global por ativos de risco, o que explica a alta das ações em Wall Street a máximas em um mês e a queda da volatilidade (medida pelo índice VIX) a mínimas também desde meados de março.

Também como suporte a moedas do perfil do real, as commodities seguem próximas dos picos em dois meses e meio, segundo o índice CRB de matérias-primas.

O alívio no câmbio doméstico, porém, ocorre a partir de patamares mais depreciados. E, num sinal de que o mercado mudou de nível, mesmo em queda a cotação do dólar resiste a recuar de forma sustentável abaixo de R$ 3,40.

A piora de fundamentos é traduzida em números pelo banco Brown Brothers Harriman. Num ranking composto por 25 moedas emergentes, o real caiu do grupo 2 (fortes fundamentos) em 24 de janeiro para o grupo 4 (fundamentos fracos) na atualização divulgada nesta terça-feira.

"Não acho que o mercado esteja complacente, se ajustou aos riscos políticos mais visíveis. Mas também vejo com preocupação a ausência de um sinal mais claro de que a centro-direita está ganhando tração. [...] Dizem que estão fazendo acordos nos bastidores, mas eu não tenho como ver e, portanto, não vou apostar nisso", diz, em tom cético, um gestor.

O profissional se refere aos números de Geraldo Alckmin (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto. Na última divulgada, a do Datafolha, o tucano aparece, num cenário sem Lula, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT).

"Se for ao segundo turno, acho que vence. Mas a questão é se consegue ir", completa o gestor consultado.

As candidaturas de centro-direita são vistas pelo mercado financeiro como mais inclinadas à continuação das reformas econômicas e fiscais, com destaque para a da Previdência.

Segundo oValor, se eleito,Alckmin pretende anunciarum pacote de reformas nos primeiros dias de janeiro de 2019 - reformas tributária, da Previdência, do Estado e a política.

Juros

As taxas dos contratos de DI de médio e longo prazo voltam a cair nesta terça-feira. A frustração com atividade e as surpresas positivas com a inflação dão um pouco mais de conforto para se apostar num cenário de juros baixos por mais tempo. No entanto, apesar dos ajustes, os participantes do mercado ainda relatam que o ambiente de incertezas inibe tomada de posições mais otimistas.

O quadro eleitoral não é animador, nem traz a previsibilidade que os investidores gostariam. Os candidatos que defendem a agenda de reformas, como Alckmin, ainda patinam nas pesquisas. Quem ganha destaque são os chamados "outsiders", ou seja, nomes que estão fora do círculo tradicional da política, que podem não ter tanta força para aplicar medidas mais duras de ajuste econômico.

Aos poucos, o mercado coloca a incerteza política nos preços, afirmam os profissionais de mercado.

O DI janeiro/2021 marcava 7,940% (7,960% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2023 apontava 9,120% (9,140% no ajuste anterior). As taxas mais curtas giravam em torno da estabilidade.

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