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Real quebra sequência de quedas, mas segue pressionado

26/04/2018 17h57

O real ameaçou cravar o sexto pregão consecutivo de desvalorização, mas se recuperou no decorrer do dia, ganhando alguma distância das mínimas em quase dois anos renovadas mais cedo.

A "calma" de hoje, contudo, deverá ser mais exceção do que regra, de acordo com analistas. O Bradesco espera que a volatilidade aumente nos próximos meses, diante dos riscos externos e também da percepção de maior cautela para o mercado local. A economista Andréa Bastos Damico reconhece que a projeção atual de dólar de R$ 3,20 ao fim do ano está "mais incerta", principalmente incorporando os riscos externos descritos acima, que parecem ser, "de fato, mais permanentes".

Outros analistas são um pouco ainda mais cautelosos. "Não vejo razão, de uma perspectiva macro, para mudar minha ideia de que a baixa produtividade e as ainda elevadas taxas de inflação significam que, no médio prazo, a direção do real é para baixo", diz Neil Shearing, economista-chefe para mercados emergentes da consultoria Capital Economics, em Nova York.

No fim da tarde, a taxa de câmbio nominal tinha alta de 0,52% ante uma cesta ponderada composta por dez divisas dos mercados mais importantes para o comércio exterior do Brasil.

O alívio, porém, é bastante moderado diante da queda de 1,92% dos últimos cinco pregões. E só acontece por causa da baixa de 1,5% do peso argentino nesta quinta-feira. A moeda do país vizinho tem o quarto maior peso na cesta, atrás apenas de yuan chinês, euro e dólar americano.

Já o dólar comercial fechou em queda de 0,22%, a R$ 3,4763, depois de variar entre R$ 3,5073 e R$ 3,4759 ao longo do dia.

A estabilização do câmbio se deu em meio a um dia mais tranquilo para divisas emergentes como um todo, ainda que o desempenho desse grupo tenha se revelado misto (o rand sul-africano subia 0,4% no fim da tarde, mesma variação de queda do rublo russo).

Declarações do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista exclusiva ao Valor, também ajudaram a amenizar a pressão no mercado. Ilan disse que está monitorando a desvalorização do real e que não permitirá dinâmica "perversa" no câmbio.

Os comentários vieram num momento em que o próprio governo avalia a depreciação cambial como um fator mais negativo do que positivo para a economia.

Além das informações macro, indicadores técnicos também sugerem maior dificuldade para o dólar prosseguir com o ritmo de valorização das últimas semanas. O índice de força relativa (IRF) de 14 dias alcançou já ontem a marca de 70 e segue nela nesta quinta-feira. Valores acima de 70 sinalizam que um ativo (no caso, o dólar) está excessivamente apreciado.

Ontem, analistas notaram a formação de um sinal técnico conhecido como "estrela cadente" - quando o preço de um ativo fecha longe das máximas do dia. Esse sinal é associado a forte demanda por venda desse ativo (dólar) quando alcança determinados topos. E, ontem, o dólar bateu R$ 3,5156, máxima em quase dois anos.

"O mercado observa essas marcas. E a de R$ 3,50 lembra o movimento do câmbio após a eleição do Trump [Donald Trump, presidente americano]", diz o gestor de uma asset.

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