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BC injeta US$ 5 bilhões no mercado, mas dólar dispara para R$ 3,81

14/06/2018 18h09

A estratégia do Banco Central para conter o nervosismo dos investidores enfrentou uma prova de fogo nesta quinta-feira. Foram injetados US$ 5 bilhões no mercado através de contratos de swap cambial, numa intervenção ainda mais robusta que no estouro da crise política há um ano ou da turbulência que tomou os emergentes em 2013. Mas nem com isso o dólar teve um fim de tarde calmo.

A moeda deixou para trás o nível de R$ 3,70, que vinha prevalecendo nos últimos dias, e saltou 2,65% para R$ 3,8111. O real teve o segundo pior despenho diário entre as principais divisas globais, melhor apenas que o peso argentino que enfrentou sua própria espiral negativa num tombo de 6%.

O gatilho do movimento, de acordo com profissionais de mercado, veio de fora, mas foi amplificado pelas incertezas locais, inclusive aquelas que envolvem o próprio Banco Central. O fortalecimento global do dólar já criava um pano de fundo adverso para emergentes. No entanto, o quadro externo pega o Brasil num momento de fragilidade já que a perspectiva é nebulosa sobre a disputa eleitoral e o ajuste de contas públicas.

Num ambiente de tensão, a atuação do Banco Central também entrou na conta. A dúvida é o que vai acontecer nos próximos dias, já que a intervenção prometida da autoridade monetária termina amanhã. Há uma semana, o Banco Central informou que colocaria no sistema US$ 20 bilhões em contratos novos de swap, para além da oferta diária de US$ 750 milhões. Com isso, até o dia 15, o montante total dos leilões chegaria a US$ 24,5 bilhões. De lá para cá, foram vendidos US$ 18,75 bilhões em contratos de swap.

Sem indicação do que ocorrerá daqui para frente, operadores comentam que o mercado antecipou uma futura alta do dólar e já correu para compras. Sem a "bazuca" do BC na venda nos próximos dias, a visão é de que o dólar ainda deve subir. A expectativa é de que o BC não se comprometa mais com um volume específico de oferta na semana que vem, mas mantenha o "fator surpresa" no ar. "O BC vai contar com a imprevisibilidade para conter a alta do dólar", diz um operador. "Mas deve deixar o mercado andar um pouco mais sozinho daqui para frente", acrescenta.

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