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Atuação do Tesouro na semana proporciona alívio aos juros futuros

15/06/2018 17h21

O mercado de juros futuros passou por um forte alívio na sessão desta sexta-feira (15), em resposta ao reforço da atuação coordenada do Tesouro Nacional e do Banco Central. Entre os mais curtos, o DI com vencimento em janeiro de 2020 recuou 0,45 ponto percentual, para 9,010%. O DI janeiro/2021 também teve baixa de 0,45 ponto percentual, para 9,990%. Com isso, o contrato de 2021 recua e volta a ficar no patamar de apenas um dígito. Já os ativos com prazo em janeiro de 2027 recuaram ainda mais, 0,48 ponto, ultrapassando a baixa anotada no mesmo período do ano passado para o mesmo contrato.

Apesar do movimento de queda, as taxas seguem em patamares elevados, em linha com o cenário ainda cauteloso desenhando para a próxima semana.

"O câmbio tem interferido muito na política monetária. Ontem, o mercado exagerou na pressão para que o BC mude a sua política no curto prazo [com elevação da taxa de juros na próxima reunião do Copom], mas eu acho que ainda não tem que mudar", avalia Paulo Nepomuceno, estrategista da Coinvalores.

O Banco Central fez três intervenções via swaps cambiais no volume de US$ 5,75 bilhões, completando os US$ 24,5 bilhões que a autoridade monetária se comprometeu em vender via swap entre sexta passada (8) e o fim do dia de hoje. Além disso, a autoridade monetária já anunciou que continuará com as intervenções e estima a colocação de mais US$ 10 bilhões, podendo ter mudança no valor para cima ou para baixo, na operação que tem efeito de venda de dólar no mercado futuro.

Ao mesmo tempo, os contratos de juros futuros tiveram algum alívio à decisão do Tesouro Nacional de prosseguir com as recompras de títulos prefixados e incluir também as LTNs e NTN-Bs nesse programa.

Segundo Luiz Eduardo Portella, sócio da Modal Asset, boa parte desse movimento se deve ao fato de que o foco, finalmente, irá para as NTN-Bs. "O problema do mercado de juros está no estoque das NTN-Bs, e não de NTN-Fs. A indústria de fundos ficou muito grande e não estava conseguindo zerar as posições nesses títulos", diz o executivo. "O Tesouro está agindo no foco do problema."

Para Portella, no passado era maior a posição do investidor estrangeiro nas NTN-Fs e, por isso, a atuação do Tesouro nesse título era suficiente para acalmar o mercado. Com a redução da parcela desse investidor até as eleições, a atuação necessária era no outro título.

"Com o anúncio dessa intervenção, o mercado tem tudo para voltar à normalidade na renda fixa", afirma.

Previdência complementar

Também contribui para a queda das taxas a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de mudar a regra de aplicação de previdência complementar. O prazo médio mínimo da carteira ("duration") dos fundos de previdência e seguradoras cairá para zero no intervalo de um ano, começando um movimento de redução gradual em junho e indo até agosto de 2019.

Os especialistas concordam que, hoje, tanto o cenário local quanto o global estão mais difíceis e, naturalmente, os títulos são negociados com prêmio sobre os patamares de meses atrás.

"Temos um problema crônico de política fiscal, o perfil da dívida pública piorou, a crise política de curto prazo e poucas reformas. A dúvida agora fica para o próximo governo", diz o estrategista da Coinvalores.

Na próxima semana, o mercado estará atento à decisão de política monetária do Banco Central, que terá potencial para influenciar tanto os juros quanto o dólar. A expectativa da maioria ? 44 dos 45 ouvidos ? ouvidos pelo Valor é de manutenção da taxa em 6,5%. Mas a curva de juros já contempla a chance de uma elevação entre 0,25 ponto e 0,5 ponto percentual.