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Com exterior negativo, Copom dita ritmo de queda dos juros futuros

19/06/2018 17h26

Depois de começar o dia com alta das taxas, seguindo o tom negativo do exterior, na esteira das disputas comerciais entre Estados Unidos e China, o mercado de juros futuros se ajustou ao longo do dia e o movimento perdeu força. Voltou para o radar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) para a taxa básica de juros, que deve sair nesta quarta-feira (20), junto com a influência do ajuste técnico dos contratos depois do forte movimento de alta das últimas semanas.

Todos os pontos da curva fecharam em queda e, aos poucos, os DIs mais curtos vão precificando a expectativa de manutenção do juro. Entretanto, o estrategista-chefe do Votorantim, Marcos de Callis, destaca que os contratos ainda precificam algum risco de alta da taxa com tanta proximidade da decisão.

"Os preços só não estão mais alinhados com os discursos dos economistas pela comunicação do Banco Central nas reuniões passadas. O BC, na última reunião, diminuiu muito a potência do 'foward guidance' e, nos momentos de mercado mais nervoso, perde um pedaço importante dessa ferramenta de ancoragem de expectativa", disse o estrategista.

Agora, ganham força as indicações que a autoridade monetária deve fazer no comunicado que divulgará no fim da quarta-feira. Na opinião de Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra, que vê manutenção da Selic em 6,5%, e a influência do cenário internacional no balanço de riscos deve ser um dos principais pontos a serem observados.

"A piora do cenário internacional leva à piora nas expectativas inflacionárias e deixa o balanço de riscos mais desafiador, num momento em que a expectativa de crescimento fica menor. Vamos observar como o BC age diante desse novo balanço de riscos e o que visualiza para frente", afirma o economista.

Kawall espera também algum comentário da autoridade monetária sobre o esfriamento da atividade, na esteira da greve dos caminhoneiros, e uma indicação de como vai encarar esse cenário. O legado da greve, segundo ele, é negativo tanto para a atividade quanto para a confiança dos agentes do mercado. Segundo ele, no cenário de manutenção da Selic em 6,5%, é esperado também no comunicado um aumento das projeções de inflação. Por fim, ele destaca a importância para alguma indicação sobre o aperto das condições financeiras, o que inclui, por exemplo, uma curva de juros mais inclinada e a percepção de risco mais alto.

A autoridade deve abordar, de alguma maneira, a elevação recente da ponta longa da curva de juros, na opinião de Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra. Além disso, deve ser reiterado que arcabouço da política monetária será mantido, com foco na meta de inflação. Callis, do Votorantim, espera que o BC mantenha o mesmo tom dos últimos pronunciamentos. Segundo ele, a instituição deveria deixar claro qual a métrica que usará para estimar os efeitos secundários da desvalorização cambial.

No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 fechou a 7,04% (de 7,155% no ajuste anterior); o DI janeiro/2021 anotou 9,57% (9,79% no ajuste anterior) e oDI janeiro/2025 registrou 11,73% (de 12,03% no ajuste anterior).

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