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Após Copom, câmbio segue com forte influência sobre juros futuros

21/06/2018 17h34

Embora a manutenção do juro básico em 6,5% ao ano e a comunicação do Banco Central (BC) tenham sido elogiados por economistas, o mercado de juros futuros continua cercado por uma série de incertezas e os contratos, voláteis. O que ficou claro na sessão desta quinta-feira (21) é que o câmbio e os juros mantêm grande correlação.

Ao longo do dia, os DIs mais curtos oscilaram entre altas e baixas seguindo o movimento do real versus o dólar, cujo desempenho em boa parte do pregão foi pior do que de boa parte das moedas emergentes. No fim da sessão regular, os contratos de menor prazo fecharam estáveis. Enquanto isso, os vencimentos médios e mais distantes apresentaram valorização.

Dólar

O dólar fechou cotado com queda de 0,42%, a R$ 3,7622, mas chegou a encostar no patamar de R$ 3,80. Ao longo do dia, o BC fez duas intervenções, sendo cada uma com a oferta de 20 mil novos contratos de swap cambial, de modo a reduzir a volatilidade da moeda durante o dia.

"Temos pressões por todos os lados: político, fiscal, externo, atividade baixa e inflação de curto prazo. O mercado está com dificuldade de precificar a curva de juros", afirma uma fonte que preferiu não ser identificada.

Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, a lógica para os prazos de contratos com vencimento com prazos médios e longos vai para além das próximas decisões desse Banco Central e chega nas incertezas com as eleições.

"O próprio BC voltou a falar da necessidade de avançar com as reformas e sabemos que o atual governo, muito enfraquecido, não conseguirá. Passa a depender do próximo presidente e isso ainda está muito incerto, o que favorece a manutenção dos prêmios."

O estrategista afirma ainda que, na ponta longa, as questões externas afetam as taxas, como uma potencial guerra comercial global, alta de juros nos Estados Unidos e riscos políticos. "A parte longa tem menos espaço para retroceder."

Selic

No comunicado publicado na quarta (20), o colegiado do BC deixou de fazer referências sobre seus próximos passos. O cenário externo mais difícil e as incertezas de curto prazo trazidas pela greve dos caminhoneiros sobre o comportamento da inflação e da atividade deixaram a autoridade monetária com uma postura mais cautelosa. Foi eliminado o trecho no qual o comitê dizia ver como adequado a manutenção da Selic no patamar corrente. A mensagem transmitida é que a taxa básica será elevada quando for necessário e confirma que não há clareza sobre o futuro, indicação que não acalma investidores.

O Tesouro não aceitou propostas de compra e venda de LTNs e NTN-Bs nos leilões. Para NTN-Fs, foram adquiridos em leilão 115 mil papéis, ou 5,75% de um total de até 2 milhões de títulos, sem nenhuma proposta de venda ser aceita. Além disso, foi feita a venda integral de 2 milhões de LFT para março de 2024 no único leilão tradicional mantido pela instituição nas últimas semanas, em meio as intervenções na renda fixa.

Começa a pesar também, de acordo com alguns operadores, o temor de uma piora do cenário político. Na próxima terça-feira (26), a segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar um pedido, da defesa, para suspender a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A liberação do recurso para o julgamento foi do ministro relator da "Operação Lava-Jato" no Supremo, Edson Fachin.

O DI janeiro/2019 encerrou o pregão regular, às 16h, com taxa de 7,03% (7,04% no ajuste de ontem), o DI janeiro/2021 encerrou com taxa de 9,73% (9,67% no ajuste de ontem) e o DI janeiro/2025 terminou com taxa de 11,89% (11,76% no ajuste anterior).

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