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De olho em BC, dólar toca R$ 3,80 em dia de instabilidade

21/06/2018 13h42

Numa sessão marcada pela instabilidade, o dólar avança ao nível de R$ 3,80 no início da tarde desta quinta-feira. A divisa americana até ensaiou uma queda mais firme no começo do dia, mas o alívio durou pouco, enquanto os investidores ainda avaliam os próximos passos do Banco Central para câmbio e juros.

Mais cedo, a autoridade monetária voltou a atuar no mercado e vendeu 20 mil contratos novos de swap cambial, numa operação que equivale à venda de dólar no mercado futuro. As intervenções acumuladas nesta semana somam US$ 3 bilhões até o momento, depois da injeção de US$ 24,5 bilhões entre os dias 8 e 15 de junho.

Para alguns profissionais, o ritmo mais moroso de atuação explica o avanço do dólar por aqui. A cotação vai se ajustando, de forma gradual, após um período em que a pressão de alta estava sendo mais represada. "O mercado acabou ficando assimétrico com as atuações do BC", diz o estrategista-chefe da Coinvalores, Paulo Nepomuceno.

A leitura de alguns especialistas é de que o Banco Central, aos poucos, deve permitir que o mercado caminhe mais livremente e só atue esporadicamente. Isso porque as vendas de swap podem gerar distorções no mercado quando não são tão necessárias. Quem opera em juro pode avaliar a intervenção no câmbio com uma necessidade por "hedge" e prefere zerar a posição, levando à alta das taxas. Ou quem quer fazer um hedge de carteira evita usar o câmbio porque tem intervenção e toma DI para se proteger.

O pano de fundo do mercado nesta quinta-feira também traz a decisão do Copom de manter a Selic em 6,50%. O colegiado não se comprometeu de maneira firme com seus próximos passos, mas indicou que, mantidas as condições atuais, não deve mexer na Selic no curto prazo.

Para alguns operadores de câmbio, uma posição mais dura do Copom ajudaria a conter a alta do dólar. "O fato de confirmar a não elevação, embora esperado, tem seus ajustes", diz o operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor. Além disso, ao não elevar tanto o tom com o exterior, o BC mostra uma relativa calma, acrescenta.

Com a alta do dólar, a moeda brasileira tem um dos cinco piores desempenhos diários dentre as principais divisas globais. Numa lista de 33 divisas globais, metade opera em baixa contra o dólar. Ainda assim, o sinal do real não se afasta muito da perda de outros emergentes, como o rublo russo e o peso colombiano.

Por volta das 13h37, o dólar comercial subia 0,49%, a R$ 3,7969, após tocar máxima de R$ 3,8029.O contrato futuro para julho, por sua vez, tinha alta de 0,54%, a R$ 3,7945.

Juros

A tensão permanece no mercado de juros futuros mesmo após o Copom confirmar a expectativa do mercado com a manutenção da Selic. Pela manhã, os contratos mais curtos abriram em queda, mas inverteram o sinal e passaram a subir seguindo a tendência dos pontos intermediários e longos da curva.

Os contratos com prazos mais próximos chegaram a devolver parte do prêmio implícito pelo risco de possível elevação da taxa básica ontem e nas próximas reuniões, mas as incertezas com o futuro trouxeram de volta os DIs para patamares mais altos. "Temos pressões por todos os lados: político, fiscal, externo, atividade baixa e inflação de curto prazo pressionada. O mercado está com dificuldade de precificar a curva", afirma uma fonte que preferiu não ser identificada.

No começo da tarde, oDI janeiro/2019 tem taxa de 7,070% (7,04% no ajuste anterior);DI janeiro/2020 é negociado a 8,730% (8,65% no ajuste anterior);DI janeiro/2021 está em 9,790% (9,67% no ajuste anterior);DI janeiro/2025 tem taxa de 11,950% (11,76% no ajuste anterior).

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