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Dólar tem leve queda, mas analistas não descartam solavancos

28/06/2018 18h11

O mercado brasileiro termina a quarta sessão sem ofertas líquidas de swap cambial com leve queda do dólar. Após um período de intensa volatilidade, o mercado brasileiro já volta a operar no mesmo sentido que outros emergentes a despeito da falta de novas intervenções. Profissionais de mercado apontam, entretanto, que o risco de solavancos não está descartado.

O dólar comercial fechou em queda de 0,43%, a R$ 3,8577, depois de bater mínima de R$ 3,8349 (-1,02%). A despeito do ajuste, é possível verificar que o dólar saiu do patamar de R$ 3,70 que prevaleceu enquanto o Banco Central intensificou sua atuação com swap cambial. Entre 8 de junho até o fim da semana passada, foram vendidos US$ 29,5 bilhões nesses derivativos, que tem efeito de venda de dólares no mercado futuro.

"O real ainda parece precisar de algum ajuste (de depreciação) dado as pesadas intervenções recentes", dizem os especialistas da Icatu Vanguarda. A expectativa é de continuidade das intervenções, mas em montante inferior ao que vinha sendo feito ao longo do último mês. "A maneira de intervir deverá ser mais errática, com intuito apenas de prover liquidez e evitar a irracionalidade do mercado", acrescentam.

Mais cedo, o presidente da autarquia, Ilan Goldfajn, reforçou que não há problemas em ir consideravelmente além dos máximos históricos atingidos com operações de swaps cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. O estoque total hoje é de US$ 67 bilhões, bem abaixo do recorde de US$ 115 bilhões em 2015. Ilan lembrou ainda que o BC poderia fazer leilões de linha e que isso foi feito nesta semana. "Continuamos acompanhando e continuaremos perto do mercado", disse.

A moeda brasileira continua vulnerável a novo choque externo, apesar de dar sinais de acomodação, na avaliação do economista-chefe do ING para América Latina, Gustavo Rangel. Uma piora do apetite por risco pode trazer pressão suficiente sobre o real que exigiria nova intervenção do Banco Central no câmbio.

Rangel destaca que riscos locais e externo são importantes. "Mas temos uma combinação hoje de externo mais tranquilo e um aumento gradual de risco doméstico, com precificação gradual de risco político/fiscal", diz. "Se o externo piorar, não vai ter nada ajudando o mercado, a não ser a intervenção."

Em paralelo às ofertas líquidas, o BC evitou a queda do estoque e fez a rolagem integral - concluída nesta quinta-feira - de US$ 8,762 bilhões em contratos que venceriam em julho. Agora, a expectativa é de que a estratégia seja mantida para o próximo lote, de agosto, que soma US$ 14,023 bilhões.

Em junho, o real se desvalorizou quase 3%, ficando com o décimo pior desempenho entre as principais divisas globais. A perda, entretanto, não é muito diferente de outros pares, como o peso chileno e o dólar da Austrália.

"Isso mostra que o mercado começa a funcionar com mais normalidade e abre espaço para se precificar, com mais clareza, os outros ativos brasileiros", diz Luiz Eduardo Portella, sócio e gestor da Modal Asset. "Estamos há quatro dias sem oferta líquida de swap cambial e não tem distorção (...) parece que os US$ 40 bilhões (de swap desde meados de março) satisfizeram boa parte da demanda de hedge no curto prazo", acrescenta.

Isso não significa que o câmbio esteja isento de novos solavancos, uma vez que a disputa eleitoral vai se aproximando. Operadores comentam que a incerteza política já pesa sobre os mercados, que dificilmente tem um desempenho mais positivo que os pares no exterior. No entanto, é a partir do fim de julho que as pesquisas de opinião de voto devem se tornar os principais catalisadores para o vaivém dos ativos.

"Por enquanto, a população ainda está vendo a Copa, as pesquisas não trazem tanta informação adicional para além de toda dúvida que o mercado já carrega", diz um operador.

A pesquisa Ibope, divulgada pela CNI, mostrou forte aumento dos votos em branco e nulos em relação à disputa de 2014. Em alguns cenários, o percentual está até quatro vezes maior do que há quatro anos atrás. "O eleitor está desapontado", aponta Renato da Fonseca, gerente-executivo de pesquisa e competitividade da CNI.