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Juros futuros caem após relatório de inflação

Em um dia mais favorável no mercado externo, o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) veio em linha com a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ao corroborar a tese de que a Selic continuará estável em 6,5% ao ano, permitindo que os DIs apresentassem queda na B3, nesta quinta-feira (28).

Sob o cenário com taxas de juros e câmbio constantes, a projeção de IPCA para este ano passou de 3,6% no RTI de março para 4,2% na leitura atual, enquanto a de 2019 oscilou de 4,0% para 4,1%. Sob o cenário com câmbio e juros do mercado, as projeções passaram de 3,8% para 4,2% e de 4,1% para 3,7%, respectivamente, nos dois períodos.

"O BC voltou a afirmar que a conjuntura atual prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com juros abaixo da taxa estrutural", destacou o Bradesco, em relatório. Na avaliação da equipe de economistas do banco, o Copom deverá manter a Selic estável nas próximas reuniões, a menos que haja alteração no balanço de riscos e a disseminação do choque cambial seja maior para os preços.

O cenário traçado pela autoridade monetária, no entanto, considera um dólar a R$ 3,70, abaixo do patamar atual em torno de R$ 3,85. Este não é um ponto de preocupação de economistas neste momento, mas continua sendo um ponto importante a ser monitorado. Segundo a diretora da área de macroeconomia e política da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro, o patamar atual do dólar ainda não compromete a análise do BC porque ainda está muito volátil. Para ela, é preciso que um cenário mais pressionado, na casa dos R$ 3,90 por exemplo, se estabilize para alterar as projeções de inflação.

O relatório traz, além disso, uma sinalização mais "tranquila" para a dinâmica dos preços, segundo o trader de renda fixa na Quantitas, Matheus Gallina. "Em relação ao possível impacto do câmbio na inflação, foi um discurso que minimizou o efeito do repasse", diz. Houve ainda o reforço da diretriz de que instrumentos da política monetária não serão usados para conter o nervosismo no câmbio, em sua opinião.

"De maneira geral, os sinais do RTI não apresentam grandes preocupações sobre a dinâmica de inflação", diz. Um dos fatores de destaque, segundo o especialista da Quantitas, é um estudo que mostra o efeito da variação cambial em alguns itens de inflação, como alimentos e serviços. "A sensibilidade de serviço é pequena, o que até ganhou destaque na apresentação (de Carlos Viana, diretor do BC)".

Dólar

Os contratos de DI também seguiram o movimento do dólar, que fechou cotado a R$ 3,8577, queda de 0,43%. O real segue o ajuste visto também em outras moedas emergentes - rublo russo, peso mexicano, rand sul-africano, lira turca - depois do movimento exacerbado visto na quarta (27) no câmbio. Contribui para a valorização das moedas emergentes a divulgação do PIB dos Estados Unidos. O indicador foi revisado para baixo, de crescimento de 2,2% na leitura anterior para 2,0%. O dado contrariou expectativas de economistas, que esperavam a estabilidade.

"O dado traz alívio para as moedas emergentes que se desvalorizam com a preocupação de uma economia americana muito aquecida, o que poderia levar o Federal Reserve (Fed, o BC americano) a subir os juros. O dado sugere um ritmo de crescimento moderado", afirma Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil.

Cenário político

A tranquilidade dos investidores de olho na política monetária do BC abre espaço para uma avaliação menos tensa do cenário político. Foi divulgado nesta manhã a Pesquisa CNI/Ibope, sem mostrar fortalecimento de candidatos da esquerda e trazendo alívio para os ativos. Na simulação do Ibope sem o ex-presidente Lula, o destaque fica com Marina Silva. A ex-ministra alcança 13%, o que a coloca, no limite da margem de erro, em situação de empate técnico com Bolsonaro, que tem 17%. É a primeira vez que, tecnicamente, é possível dizer que Marina lidera.

Às 16h, no fim do pregão regular, o DI janeiro/2020 fechou em 8,33% (de 8,55% no ajuste anterior), oDI janeiro/2021 anotou taxa de 9,33% (9,55% no ajuste anterior)e o DI janeiro/2025 marou 11,59% (11,78% no ajuste anterior)

* (Colaborou Lucas Hirata)

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